1 em 4 renuncia a adotar cães ou gatos por custos; Lav pede ação do Estado
Estudo Lav revela: 1 em 4 italianos não adota pets por custos. Medidas públicas propostas para tornar ter um animal acessível a todos.
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1 em 4 renuncia a adotar cães ou gatos por custos; Lav pede ação do Estado
Por Aurora Bellini — Em um país onde os animais de companhia são cada vez mais vistos como membros da família, persiste uma desigualdade silenciosa: ter um pet ainda é um privilégio para quem pode arcar com os custos.
Um estudo recente apresentado pela Lav, encomendado ao instituto Ref Ricerche e divulgado pela Espresso Italia, ilumina essa realidade com números claros: 23% dos entrevistados — quase um em cada quatro italianos — declara que não adota um cão ou um gato por receio dos gastos; e 10% daqueles que já tinham um animal de estimação foram obrigados a se separar dele por motivos econômicos.
As despesas rotineiras — alimento, acessórios básicos, areia para gatos, vacinas e consultas periódicas ao veterinário — pesam, mas são as emergências médicas que podem tornar a sustentação de um pet financeiramente insustentável. A estimativa do estudo aponta para um custo médio anual entre 600-900 euros por animal, valor que para muitas famílias de baixa renda equivale a um obstáculo intransponível.
Além do impacto individual, existe uma dimensão pública e social: a chamada pet economy representa cerca de 0,4% do Produto Interno Bruto e sustenta aproximadamente 96 mil empregos. O país gasta quase 7 bilhões anuais com cães e gatos, segundo o levantamento. Ao mesmo tempo, um aumento nas adoções poderia reduzir a pressão sobre os abrigos e os custos de gestão dos canis, gerando economia e bem-estar coletivo.
Por isso a Lav defende intervenções concretas por parte do Estado, não apenas na forma de subsídios, mas num reconhecimento da convivência com animais como um bem social. Entre as propostas mais centrais está o alinhamento do IVA do pet food ao aplicado aos alimentos humanos — hoje em 4% — reduzindo o peso fiscal sobre ração e itens essenciais.
Há, ainda, que se enfrentar a disparidade nos custos farmacêuticos e garantir acesso mais amplo a serviços veterinários preventivos, especialmente para populações vulneráveis e idosos, cujo bem-estar muitas vezes melhora com a companhia de um animal. O estudo destaca que, com políticas públicas adequadas, o sistema poderia inclusive economizar cerca de 4 bilhões anuais por menores despesas em saúde pública e assistência social, fruto do impacto positivo na saúde mental e física de tutores.
É uma chamada por justiça social: a afeto e a companhia de um pet não deveriam depender exclusivamente da capacidade financeira. Propostas como deduções fiscais, subsídios direcionados e campanhas públicas para reduzir os custos veterinários podem abrir caminhos mais claros, iluminando a possibilidade de convivência responsável e inclusiva.
Como curadora de progresso, vejo nessa pauta uma oportunidade de semear inovação social: políticas que suportem a adoção e a manutenção de animais podem tecer laços que beneficiam famílias, economia e comunidades. Não se trata de prometer soluções fáceis, mas de construir um horizonte límpido onde o amor pelos animais seja acessível e sustentável — um legado ético que vale a pena cultivar.
Espresso Italia continuará acompanhando o desdobrar dessa proposta e as respostas institucionais, porque garantir que ter animais não seja privilégio é também garantir calor humano nos lares, saúde preventiva e coesão social.


