Coexistência necessária: por que não podemos ignorar nosso laço com a natureza e os animais
No Coesistenza Festival em Monte Bondone, especialistas e moradores discutem a coesistência entre humanos, animais e ambiente. Reflexões essenciais e práticas.
RESUMO ✦
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Coexistência necessária: por que não podemos ignorar nosso laço com a natureza e os animais
Hoje, nas Viote do Monte Bondone — no conjunto das antigas casernas austro-húngaras que dominam Trento — inaugura-se o Coesistenza Festival, uma jornada de três dias dedicada ao diálogo e à reflexão sobre a relação entre nós, o ambiente e todas as criaturas que partilham este planeta. Promovido pela Pams Foundation, o encontro não é um evento puramente animalista: é uma praça pública de ideias em que acadêmicos, ativistas, instituições e associações trocam experiências e evidências científicas, culturais e práticas.
O propósito é simples e, ao mesmo tempo, urgente: reconhecer que a coesistência acontece independentemente das nossas preferências ou ideologias. Enquanto alguns vivem a natureza nos territórios rurais e montanhosos, outros a redescobrem apenas nas pausas urbanas — nas férias ou nos fins de semana. O festival propõe ouvir todas essas vozes, equilibrando o conhecimento técnico com o saber cotidiano de quem convive de fato com a biodiversidade.
Como curadora de sociedade e inovação da Espresso Italia, levamos ao festival uma reflexão sobre o papel da comunicação na construção de uma relação madura entre humanos e não-humanos. Em uma época marcada por polarizações, slogans e posições ideológicas, é preciso resgatar o espaço do debate informado: uma comunicação que ilumina caminhos possíveis, que semeia soluções sensatas e que permite decisões públicas embasadas.
Recebemos o convite com especial satisfação — num ano em que celebramos um marco editorial e a nossa cobertura dedicada à vida animal completa duas décadas — e entender o festival como uma oportunidade para renovar pactos intelectuais e éticos. Nosso compromisso jornalístico é oferecer ao público uma visão plural: ouvir diferentes perspectivas sem renunciar à coragem de tomar posição quando os fatos assim o exigem.
O diálogo que se inicia em Trento não termina quando as palestras acabam. Ele segue na próxima semana, no festival Tempo delle Donne, na Triennale de Milão, onde teremos um encontro assinado pela nossa seção sobre animais. Lá revisitaremos como a natureza foi narrada pelas páginas da literatura e do jornalismo — de Dino Buzzati até os relatos contemporâneos — e como esses relatos moldam percepções e políticas. Anunciaremos em breve os detalhes desse painel e ficaremos felizes em encontrar leitores que desejem conversar pessoalmente.
Conversas sobre biodiversidade, convivência e políticas territoriais são, na prática, conversas sobre o futuro coletivo. A coesistência não é uma escolha opcional: é uma condição da vida numa paisagem compartilhada. Reconhecê-la é o primeiro passo para construir instituições, práticas e narrativas que favoreçam um horizonte límpido para as gerações que virão — uma espécie de renascimento cultural em que a luz da razão e da empatia guia decisões concretas.
Ao convidar ciência, cultura e moradores locais para a mesma mesa, o festival mostra que soluções reais nascem quando se entrelaçam saberes. Que possamos, juntos, tecer políticas que protejam habitats, inventar modos de uso do solo que preservem espécies e reimaginar cidades onde a presença do outro — animal ou vegetal — inspire respeito e cuidado.
Guardar estas discussões é também um ato de responsabilidade coletiva. Salve este texto, leia-o quando quiser e participe: a coesistência precisa ser pensada, comunicada e praticada — por todos nós.

