COP17 na Mongólia: recuperar os solos para restaurar a esperança diante da desertificação
COP17 na Mongólia reúne 197 países para combater a desertificação: 40% das terras degradadas e risco de 700 milhões de migrações até 2050.
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COP17 na Mongólia: recuperar os solos para restaurar a esperança diante da desertificação
Em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, abriu-se em 17 de agosto a 17ª sessão da Conferência das Partes — a COP17 — da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), sob o lema «Recuperar os solos. Ristabilire la speranza» — traduzido aqui como Recuperar os solos. Restaurar a esperança. À mesa estão delegados de 197 países, além de representantes da sociedade civil, comunidades científicas, povos indígenas e agricultores, reunidos para enfrentar uma das crises silenciosas mais graves do nosso tempo: a perda de vida e produtividade do solo.
“A terra é nossa infraestrutura mais vital: garante segurança alimentar, acesso à água, meios de subsistência e estabilidade social”, afirmou Yasmine Fouad, secretária executiva da UNCCD. “Diante do agravamento da seca e do avanço do degradar do solo, precisamos de soluções concretas e aplicáveis; restaurar as terras é restaurar a esperança.”
Os números que iluminam a urgência do encontro são contundentes: segundo a UNCCD, mais de 40% das terras emersas do planeta já sofrem algum grau de degradação — uma sombra que reduz produtividade biológica e econômica em áreas áridas e semiáridas e põe em risco recursos vitais de bilhões de pessoas. A organização estima que, se as tendências atuais persistirem, até 2050 até 700 milhões de pessoas poderão ser forçadas a migrar por causa da desertificação.
É significativo que a conferência aconteça na Mongólia, um dos países mais afetados: quase 77% do seu imenso território (1,56 milhão de km²) já está degradado. Esse cenário transforma o país não apenas em palco, mas em testemunha das consequências de práticas insustentáveis e das pressões climáticas que aceleram a perda de solo.
Além do diagnóstico, a COP17 discute sinergias com outras convenções globais — como a Convenção-Quadro do Clima (UNFCCC) e a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) — e aborda temas centrais: a relação entre degradação do solo e migrações, regimes fundiários, o papel do setor privado, a integração entre ciência e tomada de decisão, e a participação efetiva de mulheres, povos indígenas e organizações não governamentais.
Na segunda semana do encontro estão previstas três jornadas ministeriais voltadas a mecanismos financeiros inovadores para a saúde do solo e a resiliência à seca; estratégias para acelerar essa resiliência; e medidas para recuperar pastagens e fortalecer comunidades pastorais — reconhecendo que o manejo de pastos e o pastoreio sustentável são chaves para restaurar ecossistemas e meios de vida.
Enquanto o mundo busca formas de mitigar mudanças climáticas, a recuperação dos solos aparece como uma luz prática: restaurar solo significa cultivar segurança alimentar, impedir migrações forçadas e preservar um horizonte límpido para futuras gerações. É um trabalho por vez, que exige políticas integradas, financiamento adequado e respeito aos saberes locais — uma colheita de esperança que podemos semear hoje para colher resiliência amanhã.
Como curadora de progresso da Espresso Italia, vejo nesta conferência mais do que uma reunião técnica: é um convite para iluminar novos caminhos, tecer laços entre ciência, comunidades e mercado, e semear inovação que reverta o declínio do solo. Restaurar terras é, em última análise, restaurar dignidade e possibilidade de futuro para milhões.

