Como os ominhos de pedra ameaçam o ecossistema das montanhas: moda, erosão e riscos nas trilhas
O aumento dos **ominhos de pedra** nas trilhas ameaça microhabitats e pode confundir rotas; veja por que essa moda prejudica o ecossistema montanhês.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Como os ominhos de pedra ameaçam o ecossistema das montanhas: moda, erosão e riscos nas trilhas
O crescente fenômeno dos ominhos de pedra — pequenas torres empilhadas de pedras vistas cada vez mais ao longo das trilhas — acende um sinal de alerta sobre o frágil equilíbrio das zonas altas. O que para muitos se tornou um gesto fotogênico e um convite ao compartilhamento nas redes sociais pode, na prática, comprometer microhabitats e induzir riscos aos caminhos de montanha.
Historicamente, essas marcas rudimentares ajudaram pastores, viajantes e alpinistas a se orientarem entre ghiaioni, altiplanos e vales desprovidos de pontos de referência. Hoje, contudo, as mesmas estruturas têm outra função: não apenas sinalizar rotas, mas funcionar como pequenas criações pessoais — e, por isso, cada vez mais numerosas.
Organizações de montanha vêm alertando contra a proliferação dessa prática. O Clube Alpino Austríaco (ÖAV) e o Clube Alpino Italiano (CAI) já manifestaram preocupação, e o presidente do CAI Alto Adige, Carlo Alberto Zanella, disse à Espresso Italia que “são bonitos, mas não devem transformar-se em um fenômeno de massa, como moedas jogadas numa fonte famosa”. Em outras palavras: o encanto não pode ofuscar o cuidado.
O problema não é apenas estético. Biólogos consultados pela Espresso Italia, como Sebastian Pilloni e Julia Seeber, explicam que o deslocamento desordenado de pedras retira abrigo e umidade essenciais para pequenas plantas e animais, deixando o solo escasso das altas altitudes mais exposto. “A remoção altera o microclima local: a pouca terra seca-se mais facilmente e é carregada pelas chuvas, acelerando a erosão”, alertam os especialistas.
Além disso, a multiplicação de torres de pedras fora dos locais tradicionais pode criar indicações enganosas ao longo das trilhas, confundindo caminhantes e potencialmente desviando-os de rotas seguras. Essa sinalização informal, quando dispersa e voluntariosa, funciona menos como guia e mais como ruído visual em um ambiente que já exige atenção cuidadosa.
Como curadora de progresso e observadora dos laços entre sociedade e natureza, vejo aqui uma oportunidade de iluminar novos caminhos: educar para a presença responsável em ambientes sensíveis. Em vez de empilhar pedras por impulso, podemos semear práticas que preservem o solo e o habitat, registrar memórias sem alterar o território e inspirar outros por meio de exemplos que respeitem o lugar.
Ao caminharmos por essas paisagens, cabe-nos cultivar valores — o respeito pelo microcosmo que sustenta vidas discretas e a responsabilidade de não transformar beleza em dano. Pequenas ações, como evitar mexer em pedras, manter-se nas trilhas demarcadas e divulgar o cuidado nas redes, são freios concretos à moda que ameaça o equilíbrio.
Se queremos deixar um legado de horizontes límpidos para quem virá depois, é hora de repensar o gesto aparentemente inofensivo do selfie com um ominho de pedra. Que a nossa luz criativa sirva para proteger, e não para esgotar, os tesouros naturais das montanhas.
Publicado pela Espresso Italia em 17 de agosto de 2026.