Corsini sobre possível retorno de Ranucci: "Esperamos que não seja reintegrado a Report"
Corsini diz que não espera reintegração de Ranucci ao Report; juíza Donatella Casari reservou decisão e fixou prazo até 30/09/2026.
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Corsini sobre possível retorno de Ranucci: "Esperamos que não seja reintegrado a Report"
Por Giuseppe Borgo — Em Milão, durante a apresentação da nova faixa Due Di Picche assinada por Tommaso Cerno, o diretor de Entretenimento da Rai, Paolo Corsini, comentou com firmeza sobre a disputa que envolve a condução do programa Report. Questionado sobre a possibilidade de Sigfrido Ranucci ser reintegrado ao comando da investigação jornalística, Corsini respondeu: “Speriamo non accada, non pensiamo possa accadere. Matteo 5.11, ‘ogni giorno la sua pena’, io quello che dovevo fare l’ho fatto, stiamo lavorando serenamente”. A frase, citando o Evangelho segundo Mateus, foi usada para sublinhar a convicção da direção.
Na fala, Corsini deixou claro que a empresa acredita ter agido corretamente: “Noi pensiamo di essere nel giusto e di avere fatto tutto correttamente”. A declaração reforça a posição institucional da Rai diante do litígio, sem, no entanto, detalhar medidas internas adicionais.
O pano de fundo jurídico da controvérsia envolveu uma audiência recente no Tribunale del lavoro di Roma, conduzida pela juíza Donatella Casari. Em resposta ao recurso urgente apresentado por Ranucci contra a remoção decidida pela Rai no final de agosto, a magistrada entendeu que o procedimento cautelar já estava suficientemente instruído. Assim, reservou a decisão e concedeu prazo para o depósito de notas pelas partes até 30 de setembro de 2026. Não foram determinadas diligências instrutórias adicionais.
Do ponto de vista prático, a decisão da juíza significa que a disputa seguirá seu curso escrito — um tipo de alvenaria processual em que as peças serão apresentadas por memória e contra-memória, sem novas perícias ou oitivas imediatas. Para além das formalidades, há um peso político: a possibilidade de retorno de Ranucci à frente de Report alimenta debates sobre autonomia editorial, responsabilidades da direção e o papel da emissora pública na construção da confiança cidadã.
Como correspondente que observa a intersecção entre as decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, vejo nesta disputa mais do que um conflito de personalidades. Trata-se de salvaguardar os alicerces da comunicação pública — o equilíbrio entre autoridade administrativa e liberdade de imprensa — e de garantir que a caneta que decide nomeações e exonerações seja usada com transparência e fundamento.
Enquanto a Justiça analisa os autos e as partes preparam suas notas, a cena pública permanece atenta. A direção declara trabalho sereno e convicção de ter agido corretamente; do outro lado, o jornalista afetado busca na via judicial a restauração de sua posição. A ponte entre decisão corporativa e controle judicial segue sendo erguida, tijolo a tijolo, até a sentença que fechará esta etapa.

