Turistas montam duas tartarugas no Oman para vídeo e seguram filhotes; multa de ~200€ cada revolta
Dois turistas foram multados no Oman por montar em tartarugas e segurar filhotes; pena gerou críticas e debate sobre turismo responsável.
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Turistas montam duas tartarugas no Oman para vídeo e seguram filhotes; multa de ~200€ cada revolta
Por Aurora Bellini — Em Ras Al Hadd, uma cena que deveria iluminar a consciência coletiva tornou-se viral por motivos tristes: dois turistas foram fotografados sentados sobre o casco de duas tartarugas marinhas e posando com os filhotes nas mãos, tudo para um clique — e para as redes sociais. A imagem, ligeiramente pixelada, rapidamente espalhou-se pelo mundo e acendeu uma onda de críticas e indignação.
Os fatos, conforme apurados pela Espresso Italia, são claros: os dois visitantes subiram sobre os animais, exibiram os filhotes como troféus e ainda justificaram o gesto afirmando não terem percebido maldade no ato. A justiça local interveio, e os dois foram condenados a pagar uma multa equivalente a pouco mais de 200 euros cada. Além disso, receberam uma pena de um mês de detenção, suspensa, por terem produzido e publicado conteúdo considerado prejudicial à ordem pública.
A quantia aplicada — simbólica diante dos custos habituais de uma viagem internacional — provocou espanto. Se se desembolsa milhares de euros em passagens, hotéis e experiências, pagar duas centenas por esse tipo de maltrato pode parecer, para alguns turistas incautos, um “preço” a pagar pela foto perfeita. Assim transformam-se a praia, a espécie e o ato de viver um habitat em mais uma atração na lista do viajante moderno: windsurf, snorkeling e, lamentavelmente, o que alguns já apelidaram ironicamente de 'tortue riding'.
Mas a questão vai além da sanção financeira. Trata-se da dignidade dos animais e do impacto reputacional — e ético — dos envolvidos. A repercussão negativa que a dupla enfrentou online talvez pese mais do que a multa: insultos, críticas e um apagão moral que lhes cobrou um preço maior que o monetário. Esse tipo de visibilidade também ilumina um problema estrutural: a banalização do contato com a vida selvagem como mera experiência de consumo.
No Brasil e em muitos países europeus, as penas para maltrato de animais costumam ser mais severas. Por exemplo, nos códigos penais, atitudes cruéis contra animais podem acarretar reclusão de seis meses a dois anos e multas bem superiores — entre 5.000 e 30.000 euros em alguns casos — mostrando como diferentes jurisdições ainda caminham em ritmos distintos na proteção da fauna.
O episódio em Ras Al Hadd deve servir como um farol: não para condenar apenas os dois envolvidos, mas para iluminar caminhos de educação e prevenção. O turismo responsável precisa se enraizar nas experiências, ensinando que a presença humana não deve quebrar o ciclo natural. Guias, operadores turísticos, redes sociais e viajantes têm um papel a cumprir na construção de um futuro em que a curiosidade e a admiração não destruam o que procuram celebrar.
Ao final, fica o convite por um horizonte límpido: cultivar respeito, semear inovação em práticas turísticas e tecer políticas que protejam espécies vulneráveis. A imagem difusa que rodou o planeta pode ainda ser transformada em luz — se aprendermos com ela e agirmos para que atos assim não se repitam.
Informações baseadas em apurações da Espresso Italia sobre o caso ocorrido em Ras Al Hadd, Oman.

