Chega de “viagens da morte”: mais de 130 vozes pedem fim do transporte de animais vivos

Mais de 130 personalidades e 70 organizações pedem à WOAH fim do transporte de animais vivos e proteção imediata ao bem-estar animal.

Chega de “viagens da morte”: mais de 130 vozes pedem fim do transporte de animais vivos

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Chega de “viagens da morte”: mais de 130 vozes pedem fim do transporte de animais vivos

Por Aurora Bellini — Em um apelo coletivo que ilumina uma contradição do nosso tempo, cerca de 130 personalidades e aproximadamente 70 associações de 33 países entregaram uma carta a Peter Stevenson, conselheiro-chefe de políticas da organização Compassion in World Farming, exigindo mudanças urgentes nas regras que regulam o transporte de animais vivos internacionalmente.

O documento foi endereçado à World Organisation for Animal Health (WOAH), que está revisando suas diretrizes sobre transporte animal. Os signatários pedem que essa revisão não seja apenas cosmética, mas um passo decisivo rumo ao fim do que definem como os verdadeiros «viagens da morte» — deslocamentos de longa distância que sujeitam milhões de animais a sofrimento físico e psíquico, perdas significativas e, em muitos casos, à morte antes mesmo de chegar ao destino.

O cerne do pedido é direto e iluminador: por que continuar a movimentar indivíduos vivos pelo planeta quando alternativas tecnológicas e logísticas — como o transporte de carne processada ou de material genético para reprodução local — existem e podem reduzir drasticamente o sofrimento e os riscos sanitários?

Enquanto se busca o objetivo último de substituir o sistema atual, a carta solicita ainda a adoção imediata de padrões mínimos que respeitem as necessidades etológicas dos animais durante quaisquer deslocamentos remanescentes. Entre as queixas levantadas estão relatos frequentes de condições extremas: temperatura inadequada, espaço insuficiente, água e alimentação escassas, estresse intenso e elevadas taxas de mortalidade ao longo do trajeto.

O apelo foi lançado em torno do dia 14 de junho, reconhecido internacionalmente como o «Dia Mundial Contra a Exportação e o Transporte de Longa Distância de Animais Vivos». A data, apesar de longa no nome, acende um foco internacional importante contra um comércio descrito pelos signatários como obsoleto e incompatível com padrões contemporâneos de bem-estar e ética.

Como curadora de progresso, observo que esta mobilização representa algo além de denúncia: é uma semeadura de alternativas. A indústria tem caminhos práticos e sustentáveis à disposição — do fortalecimento de cadeias locais de processamento à biotecnologia reprodutiva — capazes de reduzir emissões, riscos sanitários e, sobretudo, o sofrimento de seres sencientes.

Pedimos que as autoridades responsáveis, os operadores do setor e a sociedade civil acolham essa luz de mudança. Não se trata apenas de regulamentar melhor, mas de reimaginar trajetórias que preservem vidas e dignidade. A Espresso Italia acompanhará o desenrolar dessa revisão da WOAH e continuará a iluminar os debates que conduzam a políticas mais humanas e sustentáveis.

Para mais análises e reportagens sobre bem-estar animal e alternativas de cadeia produtiva, consulte o acervo da Espresso Italia.