Francesca Fialdini e Myra: o afeto que ilumina o resgate de uma gata sem orelhas
Francesca Fialdini conta como adotou Myra, a gata sem orelhas, e como o carinho transformou a vida de ambas. Uma história de adoção e cuidado.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Francesca Fialdini e Myra: o afeto que ilumina o resgate de uma gata sem orelhas
Por Aurora Bellini — A apresentadora da Rai, Francesca Fialdini, confirma aquilo que muitos de nós já desconfiávamos: é mesmo uma gattara de alma. Em uma história que revela como o carinho e a responsabilidade podem transformar vidas, ela conta como não se separaria jamais de Myra, a sua gata branca que nasceu sem orelhas.
Fialdini, conhecida pelo compromisso com causas sociais e animais, acompanha e apoia diversas associações e abrigos. Foi assim que conheceu a Casa di Pollicino, um refúgio que nasceu do gesto generoso de Michele, um jovem de 20 anos que, após perder seu próprio gato — o «Pollicino» — decidiu alugar um apartamento para acolher felinos abandonados em Latiano, na província de Brindisi. A história de Myra estava entre as que mais tocavam o coração: por um tempo ela viveu confinada em um box, ignorada por adotantes.
“Quando a vi pela primeira vez pensei: ‘Nossa, como é feinha’. Mas quis levá-la comigo na mesma hora. Se não fosse eu, quem mais?’, relata Francesca, com a ternura de quem compõe um retrato de luz em meio a sombras.”
Myra chegou com sinais de uma vida difícil: tinha as orelhas escuras por causa de um tumor que também afetou o olho — e foi submetida a duas cirurgias. Encontrada em meio ao mato, o pequeno corpo branco com manchas negras carregava muito mais do que marcas físicas; havia uma história que pedia acolhimento. O nome Myra, feminino de Mirò, fez o encontro parecer ainda mais providencial: Mirò foi o gato anterior de Francesca, o companheiro com quem dividiu anos em Lucca e cuja perda deixou um vazio profundo.
Depois do luto por Mirò — um gato que nasceu com uma malformação no nariz, que o fazia espirrar e limitações visuais — Francesca sentiu a necessidade de cuidar de novo. “Precisava recuperar um sentido de responsabilidade. Queria alguém para cuidar, alguém que me devolvesse o olhar”, conta. Myra, com seu temperamento equilibrado e afetuoso, foi a resposta. Hoje a jornalista a leva até para passear com guia, celebrando a curiosidade e a alegria felina ao ar livre.
Ao longo da vida, Francesca já acolheu diversos gatos: lembra Gigetta, uma pequena encontrada com a pata ferida ainda filhote, e os gestos simples que tecem laços duradouros entre humanos e animais. Sua trajetória mostra um padrão de comprometimento — não um sentimento efêmero, mas uma vocação traduzida em cuidado diário e apoio a abrigos locais.
Emocionante e serena, a relação entre Francesca e Myra ilumina algo maior: o poder do afeto responsável como agente de transformação. É um convite para semear compaixão nas pequenas decisões do cotidiano — adotar, apoiar abrigos, olhar com ternura para o que a sociedade descarta. Como curadora de progresso, vejo nessa escolha um gesto que semeia esperança e revela novos caminhos para a convivência entre pessoas e animais.
Se há uma lição nessa história é simples e verdadeira: o amor, quando praticado com comprometimento, faz milagres — e acende um horizonte límpido onde antes havia abandono. Myra e Francesca seguem juntas, provando que um encontro certo pode ser uma pequena revolução de luz.