Giovanni Malagò e os seus labradores: uma vida iluminada por fidelidade — Joe, o cão salvo em Piazzale Flaminio

Giovanni Malagò e seus labradores: de Nelson a Joe, salvo em Piazzale Flaminio, uma história de fidelidade e resgate.

Giovanni Malagò e os seus labradores: uma vida iluminada por fidelidade — Joe, o cão salvo em Piazzale Flaminio

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Giovanni Malagò e os seus labradores: uma vida iluminada por fidelidade — Joe, o cão salvo em Piazzale Flaminio

Por Aurora Bellini, para Espresso Italia

Há uma luz suave que atravessa a vida de quem convive com cães: ela revela prioridades, ensina a companhia e cultiva empatia. É essa luz que guia Giovanni Malagò em quatro décadas ao lado de labradors — uma história de laços silenciosos, resiliência e resgate.

Ex-presidente do CONI e empresário, Malagò sempre teve cães. Hoje, ao voltar de compromissos olímpicos, é recebido por Nino, o sexto labrador que lhe faz companhia e que já domina o sofá do escritório, atento às janelas que dão para a Villa Borghese, onde corre livremente. Apollo, um brown que está em convívio temporário com a filha Vittoria, desce a escada como quem diz: estou em casa.

Mas a história começa antes, num laço primordial com um cocker chamado Nelson, presente da família na infância. Nelson viveu dez anos; foi enterrado num prado entre Tor di Quinto e o Olímpico, um gesto que transformou saudade em memória visível do balcão de casa. «Chorei como nunca», conta Giovanni, lembrando que os animais foram seus primeiros professores de solidão transformada em companhia.

Quando a vida mudou e as filhas ficaram pequenas, ele procurou restabelecer um equilíbrio. Foi então que entrou o primeiro labrador da fase adulta: uma fêmea loira encontrada num canil nos arredores de Roma, batizada de Maud — nome inspirado numa vitrine de sapatos perto da Piazza di Spagna que, na juventude, despertava um desejo por escolhas bem feitas. Em seguida, veio Frison, e logo a família cresceu com Mu e a labradora branca Avana, que inicialmente era da irmã Francesca e acabou ficando com ele. Em muitos momentos, chegaram a conviver três, quatro cães ao mesmo tempo — um convívio que, segundo Malagò, foi chave para manter a alegria doméstica.

Um conselho do veterinário de confiança, o doutor Massimo Buzzanza, sugeriu que um filhote renovasse a energia dos mais velhos. Assim, a casa ganhou o calor de novas patas e a rotina se revigorou.

Entre essas histórias, uma se destaca pela brutalidade e pela ternura do resgate: a de Joe. Achado com as patas ensanguentadas nas imediações de Piazzale Flaminio, Joe foi levado para as mãos de Giovanni. Havia sinais de maus-tratos — cada encontro com alguém em uniforme despertava nele medo e agressividade defensiva — e, ainda assim, ele escolheu confiar. «Suspeito que foi brutalmente espancado por alguém com uniforme», lembra Malagò, que não hesitou: correu para buscá-lo e o acolheu.

Foi Joe quem, de certa forma, decidiu entrar na vida de Malagò. Transformou-se num guardião leal, mas também num exemplo de como o cuidado paciente e amoroso pode curar feridas visíveis e invisíveis. Dormir com eles, como confessou o dirigente, foi uma escola de afeto que o ensinou a viver também nos intervalos da vida pública. Depois, veio Elena, que completou a cena familiar.

Hoje, a imagem que fica é a de uma casa onde a convivência animal e humana tece uma rede de sentido: cães que ensinam presença, donos que aprendem responsabilidade. Em cada passo de Nino, Maud, Frison, Mu, Avana, Apollo e Joe, há um pequeno renascimento cultural — o da atenção ao outro, da capacidade de reparar e iluminar novos caminhos. É um legado simples e potente: a fidelidade, quando cuidada, devolve esperança.

Para quem acompanha a trajetória pública de Giovanni Malagò, essa intimidade com os labradors revela um lado que não aparece nos palcos institucionais — uma casa cheia, corações remendados, e a certeza de que acender luz nas pequenas vidas salva-nos também.