Mais de 13 mil filhotes de elefante-marinho mortos por surto de H5N1 nas ilhas subantárticas
Surto de H5N1 em ilhas Heard e McDonald mata mais de 13 mil filhotes de elefante-marinho; surto atinge várias espécies e exige resposta urgente.
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Mais de 13 mil filhotes de elefante-marinho mortos por surto de H5N1 nas ilhas subantárticas
Uma expedição científica revelou um cenário duro e iluminado pela urgência: as remotas ilhas Heard e McDonald, território australiano no Oceano Antártico, foram encontradas cobertas por milhares de carcaças de filhotes de elefante-marinho meridional. Testes genéticos identificaram o responsável: o vírus H5N1, variante de alta patogenicidade da influenza aviária, que estaria por trás da morte de mais de 13 mil filhotes desde agosto — numa população estimada em cerca de 17 mil animais.
O artigo científico Mass mortality of southern elephant seals during multi-species outbreak of HPAI H5N1 on sub-Antarctic Heard Island, divulgado em preprint no BioRxiv, detalha como o surto foi detectado durante expedições realizadas entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 pelo Australian Antarctic Program. Segundo os autores, o quadro observado ultrapassa de longe a mortalidade natural da espécie, que normalmente afeta menos de 5% dos filhotes.
Os autores do estudo indicam que o vírus provavelmente foi introduzido no arquipélago por aves migratórias provenientes das Ilhas Crozet, a cerca de 1.800 km de distância. "O elevado número de vítimas foi um duro golpe, mas estávamos preparados para enfrentar uma situação grave. Quando deixamos a ilha, muitos filhotes ainda estavam morrendo diante de nossos olhos", relatou à Espresso Italia o pesquisador Jarrod Hodgson, um dos coautores, que participou das missões a bordo do rompe‑gelo RSV Nuyina. Hodgson também afirmou que as estimativas de óbitos podem ser conservadoras diante da extensão do impacto.
Além dos elefantes‑marinhos, o surto atingiu outras espécies: análises do Australian Centre for Disease Preparedness, ligado ao CSIRO, testaram amostras de nove espécies de vertebrados e encontraram positividade para H5N1 em seis delas, incluindo pinguim-papua, pinguim-rei, otária-antártica e o petrel‑mergulhador da Geórgia do Sul. A ocorrência multiespécie realça o caráter sistêmico da emergência e o risco de contágio em cadeias ecológicas fechadas.
Em resposta, o governo federal australiano anunciou um aporte adicional de 11,2 milhões de dólares no orçamento 2026–27 para preparar ações de mitigação e vigilância contra possíveis impactos do H5N1 sobre espécies nativas no continente. "Por enquanto estamos protegidos da forma grave e contagiosa da influenza aviária H5, mas, à medida que o vírus se espalha globalmente, precisamos ser realistas quanto ao risco de incursões e planejar medidas de resposta", declarou o ministro do Meio Ambiente, Murray Watt.
O episódio nas ilhas Heard e McDonald é um lembrete claro de que nem mesmo os cantos mais isolados do planeta estão isentos dos desafios trazidos por doenças emergentes. A notícia também acende um chamado à cooperação internacional para monitoramento de aves migratórias, reforço das redes de vigilância e apoio a pesquisas que identifiquem rotas de transmissão e estratégias de proteção das populações vulneráveis.
Enquanto cientistas rastreiam a origem e as dinâmicas do surto, a imagem das praias subantárticas cobertas por filhotes mortos é uma ferida ecológica que pede atenção imediata. Precisamos semear soluções práticas — desde protocolos de biossegurança em expedições até planos de contingência para espécies-chave — e cultivar políticas públicas que iluminem novos caminhos para a convivência entre atividade humana e conservações sensíveis.
Para a comunidade científica e para quem valoriza o legado natural do nosso planeta, trata‑se de um momento de virada: há urgência em traduzir o conhecimento em ações que reduzam o sofrimento de populações animais e protejam a integridade de ecossistemas que, mesmo distantes, irradiam sinais claros de conectividade global.