Lanchas elétricas em Mônaco: apelo para suspender corrida no Santuário Pelagos que ameaça baleias e golfinhos

Associações pedem a Príncipe Alberto II que suspenda corrida de lanchas elétricas em Mônaco, no Santuário Pelagos, por riscos a baleias e golfinhos.

Lanchas elétricas em Mônaco: apelo para suspender corrida no Santuário Pelagos que ameaça baleias e golfinhos

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Lanchas elétricas em Mônaco: apelo para suspender corrida no Santuário Pelagos que ameaça baleias e golfinhos

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Em um apelo que ilumina a urgência de proteger nossos mares, dez organizações de Itália, França, Suíça e do próprio Principado pediram ao Príncipe Alberto II que intervenha para cancelar a prova do campeonato mundial de motonáutica elétrica prevista diante das águas de Mônaco. A prova, marcada para 17 e 18 de julho, aconteceria exatamente na área do Santuario Pelagos, território marinho de interesse internacional cuja criação teve papel significativo impulsionado pelo príncipe Ranieri III.

À primeira vista, a presença de embarcações 100% elétricas poderia sugerir uma solução ambientalmente amigável. No entanto, as associações signatárias — entre elas o italiano Instituto Tethys, que esteve ao lado de Giuseppe Notarbartolo di Sciara na gênese do Santuario — argumentam que a natureza elétrica dos barcos não elimina riscos reais à fauna. O apelo, enviado em 2 de julho e também encaminhado ao patrocinador do evento, a marca Hublot, pede atenção para perigos concretos que pairam sobre as populações de baleias e golfinhos que frequentam a região.

Os pontos centrais do alerta são claros e fundamentados: há risco aumentado de colisões entre as embarcações de alta velocidade e os cetáceos; e o ruído subaquático gerado pela velocidade e pela cavitação das hélices pode se propagar por longas distâncias, perturbando fortemente a comunicação, a navegação e os comportamentos alimentares dos animais marinhos. Ainda que os motores elétricos sejam menos ruidosos ao nível atmosférico do que motores a combustão, o impacto acústico subaquático persistente não deve ser subestimado.

Além do efeito do ruído, existe também a preocupação com acidentes que possam provocar derramamentos ou liberação de substâncias nocivas no delicado ecossistema do Santuario Pelagos — área que abriga pelo menos oito espécies diferentes de cetáceos e uma rica biodiversidade marinha. Em um cenário onde a navegação de recreio e o tráfego comercial já impõem pressões contínuas, a inserção de uma corrida de alta performance representa uma sobrecarga adicional, segundo especialistas.

O chamado das associações é um convite à responsabilidade: pedir ao chefe do Estado monegasco que honre o legado de proteção marinha e respeite os compromissos internacionais associados ao Santuario. É um gesto que busca semear prudência e preservar um horizonte límpido para as próximas gerações de vida marinha e humanas, iluminando novos caminhos para eventos esportivos que verdadeiramente abracem a sustentabilidade.

Embora a organização do certame e os patrocinadores possam defender a inovação tecnológica como um triunfo, as vozes científicas e conservacionistas recordam que inovação com sentido só floresce quando alinhada à segurança ecológica. A carta pública é uma semente lançada à superfície: resta ver se germinará ação concreta a tempo da prova.

No centro dessa disputa está o desejo coletivo de equilibrar espetáculo e proteção — e de cultivar valores que garantam um legado positivo ao mar que nos conecta.