Libero: o urso marsicano salvo de um laço de aço em Civitella Roveto
Libero, um urso marsicano de 193 kg, foi resgatado de um laço de aço em Civitella Roveto; operação do Parque Nacional permitiu a libertação segura.
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Libero: o urso marsicano salvo de um laço de aço em Civitella Roveto
Por Aurora Bellini – Em mais um ato de coragem e técnica, a equipa do Parque Nacional dos Apeninos Abruzzos, Lácio e Molise libertou um exemplar de urso marsicano que permaneceu semanas com um perigoso laço de aço preso ao pescoço. Batizado pelos guardas como Libero, o macho, com idade estimada entre 10 e 12 anos e cerca de 193 kg, voltou à natureza depois de receber atendimento e ter o artefato removido em operação noturna.
O animal entrou espontaneamente numa estrutura de contenção conhecida como tube trap na noite de 24 de abril, no território do município de Civitella Roveto (província de L'Aquila). Essa armadilha controlada foi concebida para capturar fauna selvagem sem causar traumas adicionais, permitindo então a intervenção segura da equipa para a retirada do laço e os primeiros cuidados.
Em nota dirigida à Espresso Italia, o Parque descreveu a situação como “penosa e profundamente dramática”, lembrando que a persistência desses artefatos — e de práticas ainda mais letais, como a disseminação de veneno — revela a face cruel da caça ilegal que ainda assola partes do país. “Saber que existem pessoas que usam esses instrumentos deve fazer-nos refletir e tremer”, afirmou o Parque, sublinhando a gravidade do ato.
O resgate de Libero não é um caso isolado. Em 2017, uma operação similar permitiu libertar F20, conhecida como “Monachella”, uma fêmea resgatada no território de Campoli Appennino (Frosinone). Fotografias obtidas em 2016 por fototrampas da associação Salviamo l’Orso já haviam mostrado a ursa com um laço ao pescoço, levando as equipas a montar pontos de captura seguros para a intervenção. Na ocasião, o cabo típico usado por caçadores ilegais havia ficado preso ao pescoço do animal e provocado uma ferida profunda que, a longo prazo, teria sido fatal.
Além da tragédia individual para cada animal vítima, existe um dano coletivo: a erosão do tecido ético que protege a vida selvagem. A criação de iniciativas nacionais e de uma task force italiana para combater tráfico e caçadores ilegais demonstra que é possível semear inovação nas políticas de conservação, mas a luta exige vigilância, recursos e a colaboração das comunidades locais.
Como curadora de histórias de resiliência e cuidado, vejo em ações como esta a centelha de um renascimento cultural: profissionais que iluminam novos caminhos para a coexistência entre humanos e grandes carnívoros, e cidadãos capazes de denunciar e impedir abusos. O libertar de Libero é, portanto, motivo de alento — e um chamado à ação. É preciso apoiar as associações de proteção, reforçar a fiscalização e difundir educação ambiental que torne estas práticas abomináveis cada vez mais impossíveis.
Para acompanhar desdobramentos e campanhas de conservação, a Espresso Italia continuará a cobrir o caso e a dar voz às iniciativas que protegem a fauna dos Apeninos. Que este episódio acenda uma luz sobre a urgência de proteger quem não pode falar por si — e que o nome Libero permaneça como um símbolo de esperança e de responsabilidade coletiva.