Dois lobos mortos por caçadores furtivos em Gênova e Pisa: cabeça de um foi pendurada em poste
Dois lobos mortos em Gênova e Pisa: um ferido por pellets morreu no centro de recuperação; cabeça de outro foi encontrada pendurada. Investigações em curso.
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Dois lobos mortos por caçadores furtivos em Gênova e Pisa: cabeça de um foi pendurada em poste
Dois episódios cruéis em poucas horas reacendem o alerta sobre a segurança do lobo na Itália. No entorno de Gênova, um exemplar macho foi encontrado em estado crítico após ser atingido por uma chuva de pellets de caça; levado ao centro de recuperação, não resistiu. Na província de Pisa, a cena chocante de uma cabeça de lobo decapitada pendurada em um poste mobilizou as autoridades locais. As investigações seguem sob responsabilidade dos Carabinieri forestali e as organizações de proteção animal pedem medidas urgentes.
No caso de Gênova, o animal foi localizado nos bosques de Propata, na alta Val Trebbia, por um caminhante que o viu se arrastar com as patas traseiras gravemente feridas. Equipes do CRAS da ENPA, acompanhadas por vigilância regional, socorreram o lobo. Radiografias posteriores mostraram fraturas em tíbias e péronés e um grande número de pellets de chumbo concentrados nas patas traseiras, evidência de que o animal foi atingido enquanto fugia. As extremidades já apresentavam sinais de necrose e infecções severas, indicando que o lobo caminhava por dias em sofrimento, sem alimento e com perda lenta de sangue.
Houve tentativa de cirurgia de emergência no centro de recuperação, mas o estado debilitado do animal tornou impossível a superação da anestesia. A ENPA informou sobre o quadro devastador e reforçou o apelo por maior rigor nas ações contra a caça ilegal.
Horas depois, na província de Pisa, foi encontrado o que restou de outro lobo: a cabeça do animal havia sido removida e pendurada em um poste. A imagem, além de macabra, configura crime ambiental e de maus-tratos, e os Carabinieri forestali conduzem as investigações para identificar os responsáveis.
As organizações ENPA e WWF reagiram com indignação e pressionaram o governo a não avançar com o processo de declassamento do status de proteção da espécie. O debate nasce na esteira de mudanças na convenção de Berna e de atos legislativos europeus que já concluíram as etapas parlamentares, mas que exigem a adaptação da Lei 157 sobre a fauna selvagem para alterar a lista de espécies protegidas em território nacional.
Ainda que a transposição da diretiva europeia esteja pendente, não há obrigação imediata de implementação. No entanto, o reiterado registro de mortes ilegais — ao menos das que vêm a público — reforça a necessidade de revisar estimativas oficiais sobre populações de lobos e de fortalecer mecanismos de vigilância e proteção.
Estes dois episódios representam mais que números: iluminam um desafio social e institucional. É preciso semear políticas eficazes, tecer laços entre órgãos de fiscalização, comunidades locais e organizações de conservação, e cultivar uma resposta que proteja a vida selvagem sem abrir mão do diálogo com atividades rurais legítimas. O caso segue sob investigação, e a mobilização civil já pede providências para que este tipo de violência não se torne sombra permanente no horizonte límpido do convívio entre humanos e natureza.