Marco Makaus e Mondo: o asno ‘supercão’ que ele salvou de um haras sem comida

Marco Makaus resgatou Mondo, o asno 'supercão', de um haras que o deixava sem comida; Fragola, a pônei, também foi salva do abate.

Marco Makaus e Mondo: o asno ‘supercão’ que ele salvou de um haras sem comida

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Marco Makaus e Mondo: o asno ‘supercão’ que ele salvou de um haras sem comida

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Há gestos que iluminam caminhos e criam legados. É assim a história de Marco Makaus e do seu asno Mondo, um encontro que transformou rotina em cuidado e afinidade em lar. Marco, gestor de marcas no setor automotivo de luxo e voz reconhecida da Millemiglia — ele acompanha a passagem dos automóveis históricos quando desfilam por Roma — descreve Mondo com ternura e clareza: “é um supercão”.

O que começou como um gesto de compaixão cresceu para se tornar uma rotina de visitas quase diárias. Mondo vive em um pequeno maneggio reservado, a cerca de quinze minutos da casa de Marco e de sua esposa Dorotea. Marco vai vê‑lo frequentemente, acompanhado pelos dois cães resgatados da família. O asno, com cerca de vinte anos, pelagem branca salpicada de manchas cinza e castanho, devolve com seu olhar uma serenidade profunda — uma presença que acalma e ensina.

A origem do vínculo remete a um momento delicado: quando o sogro de Dorotea adoeceu, o casal mudou‑se para cuidar dele. Marco ficou responsável por Tony, o asno do pai de Dorotea. Entre homem e animal nasceu uma cumplicidade imediata. Tony viveu até os 32 anos; quando partiu, deixou um luto intenso. Foi nesse entrelaçar de afeto e memória que surgiu a decisão de acolher outros equídeos.

Fora de casa, Marco encontrou Mondo em um outro maneggio — um espaço onde, segundo ele, não recebia alimentação adequada. Resgatá‑lo foi um ato prático e ético: tirá‑lo de uma situação de negligência e oferecer um lugar seguro. Na mesma lógica, surgiu a adoção de Fragola, uma pônei idosa que estava destinada ao abate por estar envelhecida demais para as aulas infantis; Marco a comprou para poupar‑lhe essa tragédia.

Marco costuma explicar a singularidade do asno comparando‑o ao cão. Um cão deposita em você uma confiança incondicional, uma dependência que o faz seguir ordens com ardor. O asno, ao contrário, tem uma independência reflexiva: avalia, mede riscos e decide. Nesse sentido, para Marco, o asno é um “supercão” — inteligente, nitidamente capaz de criar laços, mas também portador de um juízo próprio que o torna único.

O cuidado que Marco oferece inclui abrigo, alimentação e companhia, gestos cotidianos que revelam uma ética de afeto: há aqui a semeadura de valores, o cultivo de uma convivência que respeita diferenças e celebra a compaixão prática. Mondo não é apenas um animal de estimação; é um companheiro que ilumina pequenas rotinas e reflete um modo de agir no mundo — responsável, protetor, sensível.

Ao contar essa história, celebramos a capacidade humana de transformar cuidado em legado. Entre o ronco tranquilo de um asno e o brilho de quem o adotou, há a construção de um horizonte mais límpido — uma ação simples que reverbera em afeto, memória e dignidade animal.