Rick Wakeman toca na floresta pelo resgate dos ursos da lua: concerto no santuário de Tam Dao
Rick Wakeman toca na floresta de Tam Dao em apoio aos ursos da lua resgatados das fazendas da bile. Música e ativismo por bem-estar animal.
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Rick Wakeman toca na floresta pelo resgate dos ursos da lua: concerto no santuário de Tam Dao
Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina a interseção entre arte e ativismo, o pianista britânico Rick Wakeman levou seu piano de cauda ao coração da floresta de Tam Dao, no Vietnã, para um concerto dedicado aos ursos da lua acolhidos pelo centro de resgate. A iniciativa foi organizada em apoio à ONG Animals Asia e teve como objetivo chamar atenção para o fim das cruéis fazendas da bile.
Conhecido por sua passagem pelo grupo Yes e por colaborações com nomes como David Bowie, Lou Reed, The Clash e Black Sabbath, Rick Wakeman voltou a demonstrar que a música pode ser instrumento de compaixão. Em um cenário natural, onde a madeira do piano ecoava entre as árvores, ele ofereceu uma performance íntima para os animais que sobreviveram ao abuso e ao tráfico.
As fazendas da bile são práticas brutais em que ursos são mantidos em gaiolas estreitas, privados de movimento e submetidos a extrações constantes da bile por meio de cateteres conectados à vesícula. A substância é utilizada em alguns ramos da medicina tradicional, apesar de alternativas e condenações crescentes por organizações internacionais. Essas condições prolongadas levam a sofrimento, desnutrição, stress extremo e, muitas vezes, à morte.
Os exemplares resgatados chegam a centros como o Vietnam Bear Rescue Center, no parque nacional de Tam Dao, onde recebem cuidados veterinários, alimentação adequada e espaço para recuperar comportamentos naturais. Ainda que a liberdade plena seja um processo longo, esses santuários oferecem um horizonte mais límpido — uma possibilidade de renascimento para animais marcados pela exploração.
Durante o evento, Wakeman fez um apelo emotivo: — nas palavras registradas pela Espresso Italia — "Libertem também os últimos exemplares prisioneiros". O músico ressaltou que a causa do bem-estar animal transcende alinhamentos políticos e ideológicos: é um chamado à responsabilidade humana, à reparação dos danos e à proteção do que resta.
Organizações como a Animals Asia trabalham há anos para fechar essas fazendas, reabilitar os ursos e promover alternativas à utilização da bile. Projetos de educação e campanhas por políticas públicas têm conseguido passos importantes, mas ainda há muitos animais reféns desse comércio cruel.
O gesto de levar música ao santuário tem também um valor simbólico: semear empatia e atravessar fronteiras culturais com uma linguagem universal. Ao ouvir as notas ressoarem entre as copas, os cuidadores e visitantes presentes puderam testemunhar como a arte pode iluminar novos caminhos para a conservação e para um comportamento humano mais ético.
Ao encerrar a apresentação, Rick Wakeman deixou uma mensagem de esperança prática: além de sensibilizar, é preciso apoiar financeiramente os centros de resgate, pressionar por leis mais rígidas e promover pesquisas que substituam tratamentos tradicionais por alternativas sem crueldade. É esse tecido de ações concretas, mais do que retórica, que pode construir um legado duradouro.
Em tempos em que somamos esforços por um mundo mais compassivo, pequenos gestos de grande alcance — uma nota prolongada na mata, um apelo público, uma adoção simbólica — têm o poder de acender novas frentes de mudança. O concerto de Rick Wakeman em Tam Dao é uma dessas faíscas: um alerta sonoro e um convite para atuarmos, juntos, pela libertação e pelo bem-estar dos ursos da lua.

