Andrea Roncato e Aurelio: o ator que transformou laços com animais em missão de vida

Andrea Roncato conta sobre Aurelio, o peru adotado, a convivência com cães, gato e até um lobo, e como usou cachê para salvar um bovino.

Andrea Roncato e Aurelio: o ator que transformou laços com animais em missão de vida

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Andrea Roncato e Aurelio: o ator que transformou laços com animais em missão de vida

Por Aurora Bellini — Em uma casa verde nos arredores de Roma, o ator Andrea Roncato e sua mulher, Nicole Moscariello, cultivam um pequeno universo de afeto que ilumina seus dias. Recentemente, o casal viveu um luto singelo e profundo: a perda de Aurelio, o peru adotado quando filhote e que surpreendeu por viver até os 15 anos — quase o dobro da expectativa comum para essa espécie.

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“O enterramos no jardim e chorei”, conta Andrea à Espresso Italia, com a calma de quem aprendeu a ler o mundo pelos silêncios dos animais. Eles explicam que Aurelio, apelidado de “highlander” no viveiro onde foi resgatado, se deixou acolher pelo calor humano e desenvolveu um apego raro. “Os animais têm sentimentos, mas é preciso saber despertá-los. Aurelio gostava de ser pegado no colo; sentia o nosso calor”, diz o ator.

No mesmo lar convivem um gato e cinco cães — Idole, Love, Sissi, Bella e Leon — além de alguns animais de rua que encontram abrigo. Entre cenas e compromissos, Andrea está envolvido nas filmagens da segunda temporada de La ricetta della felicità para a RAI, mas garante que o retorno à casa é um ritual de cura. “Quando tenho um problema, sento no sofá e me deixo sepultar pelos cães. Depois de uma hora, encontro tranquilidade. As farras de Rufus, o gato ruivo, me relaxam”, conta ele.

Além do afeto cotidiano, a trajetória de Roncato com animais é marcada por gestos que ecoam compromisso ético. Ele revela que o cachê recebido por participações em Cascina Vianello foi usado para salvar um bovino do abate. “Prefiro transformar meu trabalho em proteção. Paguei para evitar o abate de um animal”, afirma, com a sobriedade de quem semeia pequenas revoluções.

Há episódios que parecem histórias tiradas de um romance rural: Andrea conta ter vivido com um lobo do Abruzzo. “Encontrei-o na floresta e não tive medo. Insisti em me mostrar até que ele veio e pousou o focinho nos meus joelhos. Dormia ao lado da minha cama. Morreu em meus braços, vítima de um tumor nasal.” Essa convivência ensinou-lhe uma regra simples: “Com os animais, é preciso pensar do ponto de vista deles; não esperar que raciocinem como nós. Aproxime-se de um cavalo com calma e ele logo mostrará confiança. Nunca acaricie um cão de cima para baixo; ele se sente ameaçado.”

Para Andrea, os animais são agentes de cura: “Transmitem ondas benéficas. São o bem absoluto.” Mas a visão dele é paternalista no melhor sentido — exige responsabilidade humana. “O homem ainda dá pouco ao animal. A fortuna não vem do céu; a construímos com amor e trabalho.”

Esta história é um convite a iluminar novos caminhos de convivência: aprender a escutar, a proteger e a transformar compromisso em gesto concreto. Na casa de Roncato, como num pequeno farol, os animais ajudam a moldar um horizonte mais límpido e um legado de cuidado.

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