Por que os gatos preferem dormir do lado esquerdo? O instinto de sobrevivência em ação

Estudo em Current Biology mostra que gatos preferem dormir no lado esquerdo; explicação envolve hemisférios cerebrais e instinto de sobrevivência.

Por que os gatos preferem dormir do lado esquerdo? O instinto de sobrevivência em ação

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Por que os gatos preferem dormir do lado esquerdo? O instinto de sobrevivência em ação

Por trás de um gesto tão sereno como um cochilo felino há um mapa antigo de sobrevivência. Um estudo publicado na Current Biology revelou que muitos gatos domésticos mostram uma preferência consistente: quando se aninham para dormir, tendem a fazê-lo apoiados no lado esquerdo do corpo.

Pesquisadores europeus e canadenses reuniram uma verdadeira mina de observações — vídeos caseiros de descanso felino disponíveis na internet — e analisaram cuidadosamente 408 vídeos de gatos adormecidos. O resultado foi claro: em aproximadamente dois terços dos casos, os animais preferiam deitar-se sobre o lado esquerdo.

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Essa inclinação não é apenas uma curiosidade charmosa; ela tem raízes na biologia. O fenômeno enquadra-se no conceito de lateralização comportamental, a tendência de organismos a favorecer um lado do corpo. Assim como a maior parte dos humanos é destro, outras espécies também exibem lados preferenciais — cangurus, por exemplo, e até elefantes-asiáticos mostram padrões repetitivos de uso de membros ou direção de movimentos.

O segredo está nos hemisférios cerebrais e em como o sistema nervoso se organiza. Nos vertebrados, os dois hemisférios do cérebro dividem funções e as fibras nervosas cruzam a base do encéfalo: o hemisfério direito controla o lado esquerdo do corpo e processa informações do campo visual esquerdo, enquanto o hemisfério esquerdo age de forma complementar. Segundo a leitura proposta pelo estudo, ao dormir apoiado no lado esquerdo, o gato pode favorecer a ativação do hemisfério direito — mais preparado para detectar ameaças e responder rapidamente.

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Em termos práticos, essa preferência seria uma forma discreta e eficiente de manter um estado de vigilância mesmo durante o repouso, um verdadeiro instinto de sobrevivência que se traduz em comportamento cotidiano. É como se os felinos iluminassem, na penumbra do sono, um vigia interno: uma pequena luz que mantém atentos os sistemas que cuidam da segurança.

Além do interesse científico, a descoberta nos oferece uma janela para compreender melhor a sensibilidade do gato doméstico: sua relação com o ambiente, com os humanos e com rotinas de cuidado. Observar onde e como ele escolhe dormir pode revelar conforto, stress ou simplesmente preferências individuais — pistas valiosas para quem busca um convívio mais harmonioso.

Na Espresso Italia, celebramos estudos que iluminam novos caminhos para melhorar a convivência entre humanos e animais. Entender a razão por trás de um comportamento tão cotidiano como o sono dos gatos é semear conhecimento que cultiva bem-estar — para eles e para nós.

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