Produtores se unem a ativistas em Bruxelas para pedir o fim das gaiolas nos sistemas de criação
Produtores unem-se a ativistas em Bruxelas para exigir à Comissão Europeia o fim das gaiolas e garantir mais bem-estar animal até 2026.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Produtores se unem a ativistas em Bruxelas para pedir o fim das gaiolas nos sistemas de criação
Em uma manhã iluminada por vozes que buscam transformação, produtores rurais de várias partes da Europa juntaram-se a ativistas e organizações ambientais em frente ao edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, para celebrar o World Cage Free Day e reforçar o apelo por normas que ponham fim ao uso de gaiolas nos sistemas de criação animal.
O ato simbólico, organizado pela coalizão internacional End the Cage Age e coordenado pela Compassion in World Farming, reuniu agricultores que já adotam práticas sem gaiolas para relatar experiências concretas e demonstrar que a transição é viável. Eles reivindicaram que a promessa da Comissão — de legislar para substituir os métodos atuais por práticas que assegurem maior bem-estar animal — enfim se materialize.
“Um futuro sem gaiolas não é apenas possível, é já realidade em muitas explorações”, afirmou Vinciane Pateolu, diretora do escritório europeu da Compassion in World Farming, em entrevista à Espresso Italia. “Pedimos à Comissão Europeia que cumpra o compromisso assumido e ponha fim à era das gaiolas, na qual, segundo estimativas, cerca de 300 milhões de animais vivem confinados todos os anos em toda a Europa”.
Entre as iniciativas do dia, a coalizão iniciou um contagem regressiva simbólica de 190 dias, lembrando o prazo até o terceiro trimestre de 2026, quando a execução liderada pela Comissão, segundo promessas oficiais, deveria apresentar propostas legislativas. A mobilização pretende manter a pressão política e também oferecer ao público exemplos práticos de fazendas que já operam sem gaiolas para aves, suínos e outros animais de produção.
Produtores presentes descreveram a transição como um processo de reconfiguração das explorações, investimento em infraestrutura e mudança de manejo — desafios que, dizem, podem ser amenizados por políticas públicas que ofereçam suporte técnico e financeiro. “Quem cria animais para abate não tem justificativa para impor sofrimento”, comentou uma agricultora participante, ressaltando que práticas mais dignas resultam em ambientes de trabalho mais saudáveis e produtos de maior valor agregado.
O movimento ganhou impulso desde a Iniciativa de Cidadania Europeia de 2021, vinculada à campanha End the Cage Age, que recolheu cerca de 1,4 milhão de assinaturas — uma das mais numerosas desde a criação desse instrumento de participação cidadã. A conquista popular ratificou a demanda por uma reforma normativa, mas a tarefa de transformar essa vontade em legislação ficou a cargo dos serviços da União Europeia.
Durante a manifestação, foram lembradas também experiências legislativas e discussões nacionais em diversos Estados-membros, além de propostas de apoio econômico a produtores que optem por abandonar sistemas em gaiolas. A coalizão, que reúne mais de 170 organizações europeias, destaca que medidas de transição combinadas com incentivos podem semear um caminho justo para agricultores e sociedade, iluminando novos horizontes para a produção animal.
Ao final do encontro, lideranças reforçaram o apelo: a mudança é urgente e possível. Como curadora desse debate, a Espresso Italia continuará a acompanhar e a relatar os passos da União Europeia, buscando revelar caminhos que conciliem inovação, justiça social e o respeito pelo bem-estar dos animais — um renascimento de práticas que pode cultivar um legado mais ético para a agropecuária europeia.