Estátua em Siem Reap homenageia Magawa, o rato que iluminou caminhos contra minas
Em Siem Reap, uma estátua homenageia Magawa, o rato detector de minas que ajudou a limpar 225 mil m² na Camboja.
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Estátua em Siem Reap homenageia Magawa, o rato que iluminou caminhos contra minas
Uma estátua foi erguida em Siem Reap, na Camboja, para celebrar a vida e o legado de Magawa, o rato treinado para detectar minas anti-homem que, ao longo de sua carreira, ajudou a transformar territórios perigosos em paisagens com esperança.
Entre 2016 e 2021, Magawa, um exemplar da espécie Cricetomys gambianus — o chamado rato gigante africano — detectou mais de 100 minas e engenhos não detonados, contribuindo para a desocupação de cerca de 225 mil metros quadrados. O monumento foi inaugurado poucos dias antes do Dia Internacional de Sensibilização sobre Minas, celebrado em 4 de abril, em gesto que ilumina a importância do trabalho de desminagem e do reconhecimento a métodos inovadores de segurança humanitária.
Treinada pela organização belga APOPO e enviada para a Camboja em 2016, Magawa se destacou por um olfato extraordinário e por sua habilidade em sinalizar a presença de compostos usados em explosivos — em especial o trinitrotolueno (TNT). Em 2020, ela se tornou o primeiro animal de sua espécie a receber uma medalha de ouro por coragem e devoção conferida pelo People's Dispensary for Sick Animals (PDSA), reconhecimento simbólico de sua contribuição direta para salvar vidas e reduzir riscos.
Segundo o relato divulgado pela própria APOPO à redação da Espresso Italia, nos seus últimos dias Magawa estava em bom estado e demonstrava seu habitual entusiasmo ao brincar; porém tornou-se mais lenta e comeu menos antes de falecer em 2022, aos oito anos. Nascida na Tanzânia em 2013, pesava cerca de 1,2 kg e media 70 cm de comprimento incluindo a cauda.
O esforço que Magawa representou é parte de uma estratégia mais ampla: a Camboja tem a ambição de tornar-se livre de minas até 2030. O país permanece entre os mais afetados do mundo por armamentos deixados em conflitos passados — depois do Afeganistão — com estimativas que apontam até 6 milhões de artefatos lançados entre 1975 e 1998, dos quais cerca de 3 milhões ainda não foram localizados. Esse legado de violência explica por que a nação mantém a maior proporção de amputados por habitante no mundo, com mais de 40 mil pessoas afetadas.
A missão de Magawa abriu caminhos literais e simbólicos: mostrou que soluções práticas e compassivas podem ser semeadas para florescer em terrenos antes impróprios à vida. A APOPO também treina esses animais para outros fins, como prevenção do tráfico ilegal de espécies selvagens e até a detecção rápida de tuberculose, demonstrando que tecnologia social e inteligência animal podem tecer novos laços de proteção.
Em nota destinada à Espresso Italia, a ONG lembra que o trabalho continua: novos detetores como Ronin — outro rato treinado pela organização — estabeleceram recordes ao localizar dezenas de minas e artefatos não detonados desde 2021, superando marcos anteriores e ampliando o alcance do método. A estátua de Magawa em Siem Reap não é apenas um monumento; é um farol que convida a comunidade internacional a manter acesa a luz da prevenção, da recuperação e do cuidado coletivo.
Enquanto a Camboja avança na meta de 2030, a história de Magawa permanece como um testemunho de como pequenas vidas podem produzir grande impacto — um renascimento cultural que ilumina novos caminhos para a segurança e a dignidade humana.