Em Trieste, "nursery" para tubarões de fundo prepara repovoamento de gattucci e gattopardi
Projeto em Trieste incuba gattucci e gattopardi para repovoamento do Golfo de Trieste e educação ambiental.
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Em Trieste, "nursery" para tubarões de fundo prepara repovoamento de gattucci e gattopardi
Por Aurora Bellini, Espresso Italia
Uma iniciativa pioneira no litoral de Trieste está iluminando novos caminhos para a conservação marinha: uma nursery experimental foi instalada para acompanhar a incubação e o crescimento de filhotes de tubarões de fundo. Os primeiros 12 exemplares de gattucci (Scyliorhinus canicula) e gattopardi (Scyliorhinus stellaris), trazidos do Acquario di Pola, crescem hoje em suas cápsulas ovígeras nos espaços da cooperativa Shoreline, em Santa Croce, sob monitoramento científico contínuo.
O projeto foi lançado pela AMP Miramare, gerida pelo WWF Itália, e guarda duas finalidades claras: testar técnicas de incubação e criação para repovoamento de espécies pressionadas pela pesca e sensibilizar o público sobre a importância dos elasmobrânquios na saúde dos ecossistemas marinhos. A meta técnica é clara — esperamos que as eclodências ocorram dentro de alguns meses e que, passados cerca de 5 a 6 meses após a eclosão, os juvenis estejam prontos para um retorno controlado ao mar.
Ao longo do ano, cerca de 40 indivíduos poderão ser realocados em um local apropriado do Golfo de Trieste, a ser identificado após mapeamentos adicionais. Essa área já demonstrou aptidão em campanhas de monitoramento da AMP Miramare, em colaboração com o Acquario di Pola, onde observações confirmaram a presença natural das duas espécies em afloramentos rochosos costeiros.
Embora, segundo avaliações globais, os gattucci sejam considerados de menor preocupação e os gattopardi como quase ameaçados, ambos sofrem forte pressão por pesca incidental (bycatch) e pelo esgotamento de seus habitats. Além disso, as alterações climáticas adicionam uma sombra preocupante: o aquecimento do mar representa um fator de risco para espécies com ciclos de vida lentos e baixas taxas reprodutivas, como os elasmobrânquios.
Dados biológicos relevantes iluminam essa vulnerabilidade: os gattucci alcançam a maturidade reprodutiva por volta dos 6–7 anos, produzindo entre 40 e 200 cápsulas ovígeras por ano no Mediterrâneo, com uma gestação de 4 a 6 meses em águas temperadas. O gattopardo tem uma reprodução mais lenta, com produção menor de cápsulas e períodos de gestação bem mais longos — entre 10 e 12 meses em cativeiro.
Do ponto de vista prático, a atuação visa fortalecer as populações locais e apoiar a recuperação de nichos essenciais. A intervenção une pesquisa aplicada e educação ambiental: além do trabalho de campo e laboratório, há programação aberta ao público. No domingo 6 de abril, dia de Páscoa, foi oferecida uma visita guiada ao BioMa dedicada às cápsulas e ovos de organismos marinhos, um momento para semear entendimento e cuidado.
Ao cultivar esta experiência, buscamos tecer laços entre ciência, comunidades costeiras e políticas de conservação — um renascimento cultural que respeita ritmos naturais e aposta em soluções tangíveis. A Espresso Italia acompanhará os desdobramentos e compartilhará os resultados das eclodências e dos futuros repovoamentos, para que possamos, juntos, iluminar o caminho para mares mais íntegros.