80 anos do primeiro voto feminino: Câmara lembra conquistas, mas alerta que há muito a construir

80 anos do primeiro voto feminino: Câmara celebra conquistas, destaca retrocessos e alerta para desigualdades ainda presentes na representação.

80 anos do primeiro voto feminino: Câmara lembra conquistas, mas alerta que há muito a construir

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80 anos do primeiro voto feminino: Câmara lembra conquistas, mas alerta que há muito a construir

Por Giuseppe Borgo — Em sessão na Câmara dos Deputados foi celebrado o aniversário de 80 anos do primeiro voto das mulheres na Itália. O tom dos discursos variou entre homenagem e advertência: apesar dos avanços, os intervenientes concordaram que muito ainda precisa ser feito para consolidar direitos e garantir representação real.

Gilda Sportiello (M5S) abriu o debate sublinhando que aquele primeiro sufrágio foi uma verdadeira conquista, mas lembrando como, desde então, as vitórias das mulheres frequentemente foram minimizadas, ridicularizadas ou tratadas com um olhar infantilizante. "Se hoje somos mais da metade da população, como é possível que tenham sido necessários quase três décadas para que 50 mulheres entrassem nas Aulas parlamentares?" questionou a deputada, apontando números que exemplificam a distância entre igualdade formal e igualdade real.

No seu discurso, Sportiello ressaltou dados que merecem atenção: o pico de representação feminina nas Aulas — cerca de 35% — só foi alcançado em 2018; nesta legislatura, pela primeira vez, a presença das mulheres voltou a cair. Nos conselhos municipais as mulheres são cerca de 3 em cada 10 vereadores; apenas 15% são prefeitas; e nas últimas eleições municipais havia apenas 9 mulheres candidatas a prefeita contra 77 homens. Ao fim da sua intervenção, colegas ergueram cartazes com slogans como "1 mulher em 4 deixa o trabalho após ser mãe" e "mesmo trabalho, mesma paga", reforçando a urgência das demandas.

Do lado da direita, Grazia Di Maggio (FdI) recordou a progressão histórica — da primeira mulher a presidir a Câmara em 1979 até a liderança feminina do Executivo com Giorgia Meloni. Di Maggio sublinhou que a chegada de uma mulher à chefia do governo não foi fruto de concessões, mas do voto dos italianos, enfatizando o peso da escolha democrática.

A líder do grupo do PD, Chiara Braga, adotou um tom de alerta cívico: lembrou que os 80 anos de protagonismo feminino não podem ser apenas uma efeméride, mas sim a base para continuar a construção de direitos. Braga destacou desigualdades persistentes — diferenças salariais, precariedade no emprego, distribuição desigual dos encargos de cuidado e barreiras ao acesso a cargos decisórios — além de estereótipos que limitam oportunidades e da violência, tanto física quanto verbal, que ainda afeta muitas mulheres.

Como correspondente que faz da informação uma ponte entre o Parlamento e a vida das pessoas, vejo nesta sessão a imagem de um canteiro em obra: os alicerces existem, mas as paredes ainda não protegem a todos. A comemoração dos 80 anos do primeiro voto das mulheres não pode ser um ato simbólico — deve ser um compromisso renovado com políticas públicas que tornem efetiva a representação e dissolvam as barreiras burocráticas e culturais.

Se a democracia é uma arquitetura, cabe ao legislador e à sociedade consolidar seus pilares: igualdade salarial, acesso real a papéis decisórios, políticas de conciliação entre trabalho e família e medidas concretas contra a violência. Só assim a lembrança de 1946 será mais que memória — será alicerce para direitos perpetuamente vigentes.