85% dos menores LGBTQIA+ sofrem violência, diz Gay Center; denúncias crescem no Sul da Itália
Gay Center: 85% dos menores LGBTQIA+ sofrem violência; denúncias crescem no Sul e migrantes chegam a 35% dos atendimentos.
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85% dos menores LGBTQIA+ sofrem violência, diz Gay Center; denúncias crescem no Sul da Itália
Em ocasião da Jornada Internacional contra a homolesbotransfobia, o Gay Center divulgou dados que revelam um quadro alarmante: 85% das pessoas menores relatam ter sofrido ao menos uma forma de violência e 40% dos jovens com menos de 26 anos vivenciam maus-tratos após o coming out.
Os números foram compilados ao longo de 20 anos de atendimento pela Gay Help Line (telefone 800 713 713) e pela chat Speakly.org, serviços que acumularam mais de 400 mil contatos no período — 20 mil apenas no último ano. O levantamento também destaca uma alteração geográfica nas demandas: a proporção de chamadas vindas do Sul da Itália subiu de cerca de 20% para mais de 40%.
Segundo a entidade, esse aumento no Sul reflete, além de preconceitos locais, as dificuldades agravadas no mercado de trabalho e na economia que tornam ainda mais difícil para pessoas LGBTQIA+ encontrar emprego e autonomia. Em outras palavras, a arquitetura social e econômica atua como um peso que estreita as saídas para cidadania efetiva.
O relatório observa ainda uma dinâmica temporal marcada pela pandemia: entre 2006 e 2019, os episódios de discriminação em família, na escola e na sociedade estavam em queda, mas voltaram a crescer após 2020, aproximando-se — e em alguns casos superando — os patamares dos primeiros anos da série histórica. O retorno dessas hostilidades indica que derrubar barreiras burocráticas exige também políticas de proteção social sustentada.
Outro dado que chama atenção é a mudança no perfil das pessoas atendidas: a parcela de migrantes que recorre ao serviço saltou de 2–3% para 35% desde 2020. O Gay Center atribui esse salto às alterações normativas que tornaram o pedido de asilo a via praticamente única para assegurar proteção por orientação sexual e identidade de gênero. No passado, muitas pessoas evitavam revelar sua orientação às instituições por medo de retaliação decorrente de experiências persecutórias em seus países de origem; hoje, com menos alternativas legais, a revelação torna-se uma condição para proteção.
O presidente da República, Sergio Mattarella, foi citado lembrando que o tema “Ao coração da democracia” convoca para a responsabilidade de traduzir princípios constitucionais em prática: o dever de remover obstáculos que limitam a liberdade e a dignidade das pessoas está no alicerce da Constituição italiana. Ele ressaltou que, apesar dos avanços legais, milhões no mundo ainda são criminalizados por sua orientação sexual e identidade de gênero e que, mesmo na Europa, persistem linguagens e comportamentos discriminatórios.
Como repórter que acompanha a relação entre decisões de Roma e vida cotidiana, registro que estes dados não são apenas estatísticas, mas tijolos — ora soltos, ora firmes — na construção dos direitos civis. A subida de casos no Sul e o aumento entre migrantes mostram que é necessário reforçar serviços de escuta e proteção como a Gay Help Line e políticas públicas que removam obstáculos à integração laboral e social.
Para quem precisa, o apoio permanece acessível: Gay Help Line 800 713 713 e a chat Speakly.org. A informação e o acolhimento continuam sendo, na prática, pontes que conectam pessoas às garantias que a lei promete, mas que ainda precisam ser edificadas com mais empenho.