Conte convoca os progressistas: primárias abertas e aliança programática para derrotar a direita
Conte pede primárias abertas e aliança programática entre progressistas após derrota de Orban e críticas ao governo Meloni. Unidade e programa em pauta.
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Conte convoca os progressistas: primárias abertas e aliança programática para derrotar a direita
Em apresentação do livro Una nuova primavera no Tempio di Adriano, em 14 de abril, o ex-primeiro‑ministro Giuseppe Conte fez um diagnóstico claro sobre o cenário político: a combinação do resultado do referendum e da sconfitta di Orban criam "ottime premesse" para derrotar o atual Executivo, mas isso exige trabalho sério e unidade. Conte insistiu que é preciso afinar o programma e estabelecer regras internas claras dentro da coalizão.
Sobre as primarie, o líder do Movimento 5 Stelle foi categórico ao repetir sua receita: primárias "aperte", não meramente internas de partido. "Se não há partecipazione democratica ai massimi livelli, non ha senso farle", disse, sublinhando que a mobilização popular é o cimento da construção política. Conte salientou que a aliança dos progressisti deve partir de um trabalho conjunto entre M5s, Pd e Avs, três forças que partilharam muitas batalhas durante a legislatura. "Poi si vedrà chi saranno gli altri", acrescentou, comprometendo-se de forma transparente: se o M5s não vencer as primárias, não se negará sua validade.
Na sua visão, não é possível firmar alianças com quem, no máximo, é conservador: "Se non ti rassegni a iniquità e disuguaglianze non ti puoi alleare con forze reazionarie". Conte criticou o automatismo pelo qual o partido com um voto a mais indica o premiê — um mecanismo que funciona para a destra, mas que, no campo progressista, carece de costume político. O ex‑presidente do Conselho reivindicou ainda que o Movimento 5 Stelle nunca se colocou como parte de uma aliança orgânica, defendendo alternativas de governação mais flexíveis.
Comentando a experiência do governo Meloni, Conte advertiu que um Executivo estável não basta para fazer a democracia funcionar: "La destra ha privilegiato le esigenze dei mercati finanziari, delle banche e dell'industria delle armi". Para ele, o governo atual traíu as expectativas de sua base: "Che ne è stato della destra sociale? È stata fatta un'alleanza con il grande capitale internazionale" — imagem de um edifício cujos alicerces foram deslocados para servir interesses econômicos.
Sobre figuras do seu próprio campo, Conte disse estar tranquilo em relação ao simbolo de Beppe Grillo: "Ho studiato bene le cose. Non mi sono mai considerato suo nemico, semmai sono stato attaccato da lui". A propósito de Di Maio, a provocação foi direta: "Deve leggere tutto il libro per ottenere una visione più completa".
Em tom mais amplo, Conte comentou a reação internacional: o ataque de Trump ao Papa é um sinal de tempos difíceis — "mala tempora currunt" — e a derrota de Orban na Hungria representa uma grande derrota para quem, de Netanyahu a Salvini e Meloni, o apoiou. Para o líder do M5s, a linha política extremista de direita saiu enfraquecida com esse resultado.
Como repórter político, vejo nas palavras de Conte o chamado para erguer uma ponte entre partidos e cidadãos, reconstruindo alicerces de uma coalizão baseada em um programa claro e na participação democrática. A tarefa, diz ele, é tanto técnica quanto cívica: derrubar barreiras burocráticas e convocar a sociedade para a construção de direitos que resistam ao peso da caneta dos governos reacionários.