Crosetto alerta para “crise mais dura”: “Hiroshima não nos ensinou nada”
Crosetto alerta para crise inédita: Hiroshima não ensinou nada, risco nuclear e fragilidade da defesa europeia. Apelo à união política na Itália.
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Crosetto alerta para “crise mais dura”: “Hiroshima não nos ensinou nada”
Em entrevista ao Corriere della Sera, o ministro da Defesa Guido Crosetto fez um alerta grave sobre a conjuntura internacional e suas consequências para a segurança global e para a Itália. Segundo o ministro, o atual momento representa «a crise mais dura» das últimas décadas, com um acúmulo de fatores que se reforçam mutuamente e que podem levar a um agravamento rápido e imprevisível.
Ao tratar da herança dos conflitos do século XX, Crosetto afirmou que a humanidade não aprendeu com os horrores de Hiroshima e Nagasaki. “São seres humanos como nós os que decidiram que, para pôr fim a um conflito, eram aceitáveis atos como aqueles”, disse, acrescentando que a existência persistente de armas nucleares continua a estimular outros atores a buscá-las. A conclusão do ministro é direta: não aprendemos a lição.
Crosetto descreveu o cenário atual como «sem precedentes» nos últimos decênios. Para ele, há uma soma de criticidades — tensões políticas, riscos estratégicos e fragilidades energéticas — que se alimentam entre si e tornam mais difícil a solução dos problemas. A imagem que propõe é a de uma construção cujo alicerce está sendo corroído: sem reparos imediatos, o risco de colapso aumenta.
Sobre o presidente dos Estados Unidos, o ministro avaliou que não há atores externos capazes de deter unilateralmente um líder eleito: “É o líder de uma nação soberana e ninguém de fora pode influenciá-lo”. Crosetto defende, porém, que o presidente americano precisa de colaboradores mais corajosos, porque um dos problemas da atual presidência é que “ninguém ousa contradizer o Chefe”. Quanto a uma eventual saída dos EUA da Nato, Crosetto considerou improvável que isso ocorra sem o aval do Congresso; entretanto, a possibilidade de retirada de tropas da Europa existe e, se concretizada, deixaria o Velho Continente mais frágil e com menos capacidade de defesa.
Em relação à base de Sigonella, o ministro foi categórico: negará em Parlamento que tenha permitido usos indevidos da infraestrutura, classificando tais alegações como falsas e reforçando que a gestão de liberação de bases é competência militar, não política.
Outro ponto sensível abordado foi a segurança energética. Crosetto admitiu que existe o temor de que reservas possam se esgotar a ponto de paralisar setores inteiros em «cerca de um mês» — uma realidade que exigiria respostas rápidas para evitar ruptura econômica e social.
Ao olhar para o contexto político doméstico, o ministro fez um apelo ao diálogo: maiorança e oposição devem depor as armas e colaborar para proteger o país diante de uma crise que não tem precedentes recentes. Questionado sobre possíveis mudanças no governo ou eleições antecipadas, Crosetto foi claro: as forças políticas estão obrigadas a manter a estabilidade — “tudo podemos permitir-nos, menos uma crise”, afirmou.
Na responsabilidade pública — o peso da caneta que assina decisões com impacto direto na vida das pessoas — Crosetto coloca a necessidade de construir pontes entre a decisão em Roma e a segurança cotidiana dos cidadãos. Este é um momento em que a arquitetura das políticas públicas exige reparos urgentes para reforçar os alicerces da defesa, da energia e da coesão política.