Crosetto: para a Ucrânia é difícil entrar na UE; a paz precisa ser defendida
Crosetto diz que é difícil a entrada da Ucrânia na UE; defende trégua imediata e preparação para 'blindar a paz'. Prontidão italiana em Hormuz também destacada.
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Crosetto: para a Ucrânia é difícil entrar na UE; a paz precisa ser defendida
Em entrevista ao Corriere della Sera, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, traçou um panorama claro e pragmático sobre o conflito entre Ucrânia e Rússia, a posição da Itália e o papel das forças armadas no cenário internacional. Para Crosetto, a integração da Ucrânia na União Europeia é hoje "muito difícil", e a prioridade imediata é garantir uma trégua e preparar-se para blindar a paz.
"Eu sou o ministro da Defesa e digo o que é justo para construir uma Defesa séria", afirmou Crosetto, ressaltando que sua função é contribuir para os alicerces da segurança nacional assim como faria um ministro da Saúde ou da Educação em sua área. A abordagem é apresentada como técnica e decisiva: a construção de direitos e segurança exige medidas concretas e sustentáveis, não retórica.
Sobre a relação com a premiê Giorgia Meloni, o ministro negou qualquer desavença: "Não houve nunca uma briga em anos sobre esses temas importantes para a Itália. Falamos normalmente e livremente, como sempre fazemos com todos os aliados, e definimos uma posição que eu respeito e compreendo." Ao mesmo tempo, Crosetto afirmou que continuará a apontar o que é necessário para garantir a segurança dos italianos em um quadro muito diferente do passado — como quem verifica as vigas antes de erguer um novo edifício.
No plano internacional, Crosetto comentou um possível reatamento no Estreito de Hormuz, relacionando-o a um acordo entre EUA e Irã que, segundo ele, falta apenas a assinatura de Donald Trump. A Itália, explicou, está pronta a agir imediatamente após as formalidades parlamentares: navios italianos já estariam no Golfo realizando operações de desminagem para liberar um trecho marítimo vital para o comércio e o tráfego internacional.
Quanto ao conflito em curso, Crosetto lembrou que por anos se discutiu quanto a Ucrânia resistiria à Rússia, e que hoje há sinais de mudança: "Agora parece que é a Rússia que enfrenta dificuldades diante do crescimento das capacidades da Ucrânia". Mas a situação é complexa: a Rússia alterou a própria Constituição para incorporar as quatro regiões ucranianas disputadas — um cenário que complica qualquer negociação, porque torna mais difícil para Moscou recuar e inaceitável para Kiev ceder territórios após anos de resistência e milhares de mortes.
"Obviamente, é preciso chegar a uma trégua. Depois, precisamos nos preparar para blindar a paz", afirmou o ministro. A declaração carrega a imagem de uma obra pública que não termina com a assinatura do acordo: é necessário erguer barreiras, garantias e mecanismos para que o cessar-fogo se transforme em uma paz duradoura.
Ao ser questionado diretamente sobre a entrada da Ucrânia na UE, Crosetto foi conciso: "Todos sabem, inclusive os alemães, que é muito difícil". A frase resume uma realidade política e institucional que exige uma ponte longa e complexa entre o presente do conflito e a arquitetura europeia.
Como repórter que observa a interseção entre decisões de Roma e a vida dos cidadãos — incluindo refugiados, imigrantes e comunidades ítalo-descendentes —, registro que as palavras do ministro delineiam prioridades: primeiro a estabilidade imediata, depois a construção lenta e segura dos mecanismos que possibilitam direitos e integração. Em termos práticos, trata-se de não confundir urgência com solução definitiva; é a tarefa de erguer uma estrutura sólida que resista ao tempo.
Giuseppe Borgo, Espresso Italia