Gabrielli critica possível volta de Salvini ao Viminale: “Falta de respeito às instituições”
Gabrielli critica a hipótese de Salvini no Viminale e pede legalidade que integre, não penalize; alerta contra click day e caporalato.
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Gabrielli critica possível volta de Salvini ao Viminale: “Falta de respeito às instituições”
Por Giuseppe Borgo – Em um discurso direto e sem rodeios durante o festival "La Repubblica delle Idee" em Bolonha, o ex-prefeito e alto funcionário de segurança Franco Gabrielli avaliou com rigor político a hipótese de um retorno de Matteo Salvini ao Viminale. Para Gabrielli, a mobilização dentro da própria coalizão contra um ministro do Interior é um sinal preocupante: “Em 40 anos nunca vi um episódio assim, em que se pusesse em discussão um ministro importante por membros da mesma maioria e da mesma formação política que o indicou.”
O tom foi técnico mas crítico: isso, segundo ele, representa um “degradação do respeito pelas instituições”. Na linguagem de quem conhece os alicerces da segurança pública — passado pela direção da SISDE e AISI, pela chefia da Proteção Civil e da Polizia — Gabrielli interpreta o episódio também como um diagnóstico substantivo: a contestação é, em sua leitura, “uma certificação de que nestes quatro anos houve insucessos na área da segurança.”
Gabrielli, que foi ainda subsecretário de Estado na Presidência do Conselho e autoridade delegada para a segurança da república no governo Draghi (2021–2022), descartou ironicamente um papel de mediador político. “Tenho um grande defeito: não sou governável, e portanto não seria um bom companheiro de viagem”, disse, acrescentando com a ironia seca de quem observa estratégias políticas: “Sinto-me como a ‘sora Camilla’: todos a querem, mas ninguém a leva.” A imagem funciona como metáfora útil para compreender o peso da caneta e a dinâmica de alianças: muitos desejam o símbolo, poucos assumem o encargo.
Sobre migração, Gabrielli foi claro e pragmático. Segundo ele, as propostas em debate parecem frequentemente sem destino definido: “Não se entende aonde as propostas de migração querem chegar”. Para colocar ordem nessa arquitetura política, defendeu uma legalidade que habilite e não que obstaculize. Alertou para um retrofundo cultural: “No nosso país ainda persiste a ideia de que os estrangeiros são úteis, desde que não criem problemas.”
Na avaliação do ex-prefeito, práticas como o click day alimentam formas de exploração — favorecendo o caporalato ou uma gestão criminosa dos fluxos — e não resolvem a integração. “A integração não deve ser vista como um ato de generosidade, mas como um investimento estratégico”, afirmou, listando prioridades: investir na escola, no trabalho e no ensino da língua italiana.
Como repórter que traduz decisões de Roma à vida cotidiana, vejo nas palavras de Gabrielli uma advertência prática: derrubar barreiras burocráticas não é gesto simbólico, mas obra de construção dos direitos. Se a política trata a segurança e a migração como fachadas, a consequência recai sobre quem vive nos bairros e nas fábricas — por isso é urgente pôr em marcha medidas com alicerces sólidos, e não improvisos que apenas ocupam espaço nos noticiários.