Meloni defende limite a alunos estrangeiros por turma e ataca Mattarella; oposição reage

Meloni defende limite de alunos estrangeiros por turma, cita Mattarella e provoca reação de PD e M5S; direita apoia. Debate sobre integração nas escolas.

Meloni defende limite a alunos estrangeiros por turma e ataca Mattarella; oposição reage

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Meloni defende limite a alunos estrangeiros por turma e ataca Mattarella; oposição reage

Em entrevista ao programa Cinque minuti, no estúdio de Bruno Vespa na Raiuno, a primeira-ministra Giorgia Meloni explicou as motivações por trás da proposta do governo para fixar um teto para estrangeiros por turma. Segundo ela, a medida busca construir turmas mais equilibradas para evitar que estudantes vindos de fora se sintam isolados ou formem guetos.

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Meloni afirmou que a ideia não é nova: quando o atual presidente da República, Sergio Mattarella, era ministro da Educação, teria emitido circulares que recomendavam justamente não concentrar os alunos estrangeiros em uma única classe. "O presidente da República, quando era ministro, redigia circulares que mais ou menos convidavam a não concentrar os jovens estrangeiros na mesma classe", disse a premiê, defendendo que se trata de "bom senso" a ser aplicado.

Ao comentar o discurso de Mattarella na inauguração do ano letivo em Amatrice — no qual o chefe do Estado lembrou que "a escola é a mais eficaz alavanca de integração" e citou o artigo 34 da Constituição, que afirma que a escola é aberta a todos — Meloni inicialmente buscou acomodar os termos. Para ela, a crítica do presidente à formação de guetos reforça o mesmo ponto: distribuir os alunos de forma mais equitativa evita a criação de ambientes de incomunicabilidade.

Meloni explicou o raciocínio pedagógico na linguagem direta do cotidiano: é mais difícil integrar uma criança que não domina o idioma quando ela está numa turma onde a maioria também não fala a língua local. A solução, disse, é promover "classes mais equilibradas" para favorecer a interação entre estudantes estrangeiros e italianos.

No entanto, a declaração da primeira-ministra evoluiu para um tom mais duro contra o presidente da República, provocando uma reação imediata das oposições. A secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, qualificou a tentativa de "arrastar" Mattarella para a disputa como um sinal de falta de senso de Estado e uma provocação inaceitável contra a mais alta autoridade do país.

Os líderes do grupo do PD na Câmara e no Senado, Chiara Braga e Francesco Boccia, consideraram as palavras da premiê "sórdidas". Do Movimento 5 Estrelas, o presidente dos senadores, Luca Pirondini, acusou Meloni de mal interpretar ou manipular as palavras de Mattarella, descrevendo a chefe do governo como "fora de controle" diante da proposta, que para os críticos seria inaplicável.

Em contrapartida, a primeira-ministra encontrou apoio em setores da direita: o deputado Vannacci manifestou respaldo às afirmações de Meloni, reforçando o alinhamento do bloco governista em torno da proposta.

O episódio inaugura mais um capítulo na tensão entre o Palácio Chigi e o Quirinale, com a questão das políticas de integração escolar servindo como fio condutor. A proposta do governo, apresentada como uma intervenção prática para evitar a formação de guetos e melhorar a integração linguística, continua a provocar um debate intenso sobre os limites entre políticas públicas, valores constitucionais e o papel simbólico das instituições. Em termos de arquitetura do voto e da construção de direitos, a discussão revela o peso da caneta na definição dos alicerces da vida comunitária e educacional italiana.

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