Ilaria Salis é condenada a pagar 300 mil euros a dois ex-colaboradores; eurodeputada recorre
Tribunal de Milão condena Ilaria Salis a pagar 300 mil euros a dois ex-colaboradores; parlamentar recorre e alega ausência de notificação.
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Ilaria Salis é condenada a pagar 300 mil euros a dois ex-colaboradores; eurodeputada recorre
Por Giuseppe Borgo — A eurodeputada Ilaria Salis, eleita pela lista Avs, foi condenada em primeira instância pelo Tribunal de Milão à reparação de cerca de 300 mil euros a dois ex-colaboradores que tiveram seus contratos rescindidos em julho de 2025. A decisão, proferida em março pela seção Trabalho, considerou inexistente a justa causa para a interrupção dos vínculos de colaboração.
Os dois assistentes — um contratado via co.co.co. e outro com Nota Fiscal (partita IVA) — tinham contratos assinados em fevereiro de 2024, após a eleição de Ilaria Salis ao Parlamento Europeu. Segundo a sentença, a eurodeputada não se constituiu no processo de primeiro grau e, portanto, não apresentou prova suficiente de motivos que justificassem o desligamento.
O valor fixado pelo juiz corresponde à remuneração que os trabalhadores teriam recebido até o término previsto dos contratos, em 2029: aproximadamente 147.900 euros para um e 153.000 euros para o outro. A medida resulta da aplicação das normas trabalhistas sobre rescisões sem justa causa e da obrigação de reparar o prejuízo salarial decorrente.
Em nota pública e em uma longa publicação nas redes sociais, Ilaria Salis declarou estar confiante de que a instância de apelação restabelecerá a verdade dos fatos. Segundo a parlamentar, a interrupção das colaborações não foi "arbitrária, súbita ou desprovida de motivações", mas uma decisão necessária para proteger o correto exercício do seu mandato, as recursos públicos sob sua responsabilidade e, em última instância, as pessoas que ela representa.
Um aspecto que a eurodeputada qualificou como "quase surreal" foi a impossibilidade de se defender no processo de primeiro grau. Ela afirma que as notificações não lhe foram entregues — apesar de, segundo ela, estarem claras as formas de notificação possíveis, como e-mail ou PEC — e que o tribunal pronunciou-se com base apenas nos elementos apresentados pelos recorrentes.
O caso abre questionamentos práticos sobre a responsabilidade dos mandatos públicos enquanto empregadores e sobre a gestão de contratos atípicos no âmbito parlamentar. Assistentes e colaboradores de parlamentares europeus desempenham funções que exigem regras claras: quando a relação é rompida, o peso da caneta do juiz costuma recair sobre a proteção ao trabalhador, sobretudo se não existir prova de justa causa.
Nas redes e em comentários públicos, críticos lembram episódios anteriores que envolveram a parlamentar — menções a problemas com ocupações e disputas administrativas foram evocadas — e usam o caso como elemento para discutir a conduta de representantes eleitos como empregadores. No entanto, a matéria segue em aberto até o julgamento de apelação, quando as alegações de Ilaria Salis serão novamente avaliadas.
Como repórter que observa a arquitetura do poder e sua ligação com a vida cotidiana, é importante sublinhar que este tipo de litígio não é apenas um conflito entre partes: trata-se de um teste aos alicerces da lei e da transparência no uso de recursos públicos. A apelação indicará se a sentença de primeira instância permanecerá ou se a narrativa apresentada pela eurodeputada terá validade jurídica. Enquanto isso, a ponte entre as decisões de tribunais e a percepção pública continuará sendo construída, peça por peça.