Crise na Lega: fibrilações, saídas e a hipótese de um congresso extraordinário antes de 2027
Crise na Lega: saídas, crescimento de Vannacci e a proposta de um congresso extraordinário liderada por Zaia antes das eleições de 2027.
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Crise na Lega: fibrilações, saídas e a hipótese de um congresso extraordinário antes de 2027
Por Giuseppe Borgo — A Lega de Matteo Salvini atravessa uma primavera marcada por fibrilações internas, desfecções e uma pressão crescente por mudanças organizativas e políticas antes das eleições de 2027. Nos corredores do partido volta a ganhar força a ideia de convocar um congresso federale extraordinário para relançar a proposta política e tentar frear a erosão de quadros e votos.
O reavivamento do protagonismo de Luca Zaia é parte central deste cenário. O ex-governador do Vêneto — cujo encontro com Marina Berlusconi, em abril, causou impacto — tem marcado presença nos meios nacionais e aposta em projetos próprios como o videopodcast “Il Fienile”, que ele afirma ter alcançado 100 milhões de visualizações nas plataformas sociais. Salvini chegou a considerar sua candidatura para as próximas legislativas, mas a relação entre os dois mostra tensões crescentes, sobretudo após o veto à alteração do limite do terceiro mandato que impediu Zaia de concorrer nas regionais de novembro e diante de nomeações salvinianas na direção da Lega Veneta.
Da ala mais próxima a Zaia surge a hipótese já defendida por ele, de setembro, no palco de Pontida: a criação de duas Leghe — um partido com identidade norteísta dentro de uma formação nacional, inspirado no modelo da CSU/CDU alemã — com a possibilidade de que Zaia liderasse a componente regional. Até aqui, a proposta encontra resistência pública de Salvini, e, segundo o estatuto, um congresso extraordinário só pode ser convocado a pedido do secretário federal ou da maioria do conselho federal.
Uma data simbólica circunda o debate interno: 3 de fevereiro, o dia da saída de Roberto Vannacci, figura com grande votação nas Europeias de 2024 e promovido a vice-secretário antes das rupturas. Vannacci fundou o movimento Futuro Nazionale, e a rápida ascensão de sua formação e de seu grupo dentro do eleitorado e das estruturas do partido aumentou o clima de inquietação.
As deserções já se materializaram em nomes concretos. Após Edoardo Ziello e Rossano Sasso, recentemente Laura Ravetto deixou a Lega para aderir ao Fnv, e os vannacciani anunciaram novas adesões iminentes. Na cidade de Vigevano, onde a direção local foi comissariada por ter apresentado candidatos da comunidade muçulmana sem aval da secretaria federal, o candidato apoiado por Vannacci superou o nome oficial da Lega, evidenciando como rupturas locais podem contaminar o equilíbrio nacional.
O temor interno é de um efeito dominó: que o crescimento de Vannacci e do seu grupo venha a suplantar estruturas locais e, eventualmente, influenciar resultados em âmbito nacional. Em resposta, a liderança partidária tem buscado medidas para conter a sangria de quadros e votos, enquanto o debate sobre a convocação de um congresso federale extraordinário permanece em aberto. A decisão exige conciliação entre as correntes internas e respeito aos alicerces estatutários do partido.
Como repórter atento à arquitetura do poder, observo que estamos diante de um momento em que a construção de direitos e a representação regional dentro de um partido nacional esbarram nas decisões tomadas pela cúpula. A aproximação entre as asas do partido, ou sua divisão formal, terá impacto direto sobre o eleitorado, os itinerários eleitorais e a capacidade da Lega de se apresentar como ponte entre as demandas locais e a agenda nacional.
Até que haja uma definição estatutária ou um movimento claro da direção federal, o cenário permanece volátil: resta ver se a vontade de renovar e reconstruir a máquina partidária prevalecerá sobre o peso da caneta do comando atual.