M5S protocola 1 milhão de emendas contra a reforma da caça: batalha pela biodiversidade
M5S protocola 1 milhão de emendamentos contra a reforma da caça; disputa acirrada sobre biodiversidade, UE e papel do ISPRA.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
M5S protocola 1 milhão de emendas contra a reforma da caça: batalha pela biodiversidade
O Movimento 5 Estrelas (M5S) anunciou ter depositado 1 milhão de emendamentos ao projeto de lei sobre a reforma da caça, em uma iniciativa que os parlamentares definem como uma estratégia para travar o que chamam de um plano governamental perigoso para a fauna e os ecossistemas. O anúncio foi feito em vídeo divulgado nas redes sociais pelos deputados do M5S Sergio Costa, Alessandro Caramiello, Carmen Di Lauro, Ilaria Fontana, Gisella Naturale e Susanna Cherchi, acompanhados por representantes de organizações ambientais: Alessandro Polinori (LIPU), Dante Caserta (WWF Italia), Annamaria Procacci (ENPA) e Massimo Vitturi (LAV).
“Depositamos um milhão de emendamentos ao DDL caccia. Um milhão de razões para enfrentar este projeto insensato do governo, que não pretende regulamentar a caça, mas devastar animais e natureza”, afirmam os parlamentares no vídeo. A mensagem do M5S segue a linha de transformar mobilização digital e técnica em um mecanismo legislativo para deter medidas que, na visão do partido e das associações, ameaçam o patrimônio natural do país.
O texto do governo, já aprovado pelo Senado, está em exame na comissão de Agricultura da Câmara. O projeto pretende atualizar uma legislação que data de 1992 e introduz mudanças substanciais na gestão do território e da fauna selvagem. Defensores da reforma argumentam pela modernização; críticos alegam falta de diálogo e riscos para espécies e diretrizes europeias.
O Partido Democrático (PD) reagiu diferenciadamente: na comissão de Agricultura da Câmara, os deputados do PD apresentaram apenas emendas supressivas ao texto vindo do Senado, declarando que a proposta é, para o partido, “inemendável” e errada tanto no método quanto no mérito. Membros do PD — Antonella Forattini, Stefania Marino, Nadia Romeo, Andrea Rossi e Stefano Vaccari — sustentam que a lei 157/1992 foi fruto de um amplo processo de mediação entre atores diversos e que a nova iniciativa chegou de forma unilateral, a partir de Palazzo Chigi, sem a necessária concertação.
Entre as críticas técnicas destacadas pelo PD e por especialistas está a ausência de uma relação detalhada sobre o estado de aplicação da legislação atual, prevista no artigo 35 da 157/1992. Há também preocupação quanto a possíveis conflitos com as diretivas da UE sobre o uso de chamadas com aves vivas e sobre o enfraquecimento do papel técnico-científico do ISPRA (Istituto Superiore per la Protezione e la Ricerca Ambientale).
Na minha observação como repórter político, esta disputa não é apenas um embate entre partidos: é uma disputa sobre os alicerces da lei que organiza a convivência entre comunidades humanas e natureza, sobre quem decide a arquitetura do território e sobre o peso da caneta na proteção da biodiversidade. O gesto do M5S — converter mobilização em um milhão de emendamentos — é uma tentativa de construir uma ponte entre os cidadãos que defendem o meio ambiente e os corredores do Parlamento, desacelerando um processo legislativo que, segundo críticos, corre o risco de derrubar barreiras burocráticas sem garantias técnicas e científicas.
A tramitação seguirá na comissão da Câmara. A batalha legislativa promete ser longa: do lado da maioria, a pressa por reformar; do lado das oposições e das associações, a solicitação por estudos, diálogo e respeito aos princípios constitucionais de proteção ambiental. A população, especialmente quem vive nas zonas rurais e quem convive com a fauna selvagem, seguirá observando — e avaliando — o impacto concreto dessa reforma na vida cotidiana.