Mattarella e Meloni no Friuli: 50 anos do terremoto e a origem da resiliência
Mattarella e Meloni lembram 50 anos do terremoto no Friuli e destacam a resiliência, solidariedade e lições para políticas públicas.
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Mattarella e Meloni no Friuli: 50 anos do terremoto e a origem da resiliência
Em Gemona, nesta cerimônia que marca os 50 anos do terremoto de 1976 no Friuli Venezia Giulia, o presidente da República, Sergio Mattarella, e a primeira-ministra, Giorgia Meloni, reafirmaram o papel histórico daquela tragédia na construção dos alicerces da comunidade e na arquitetura da solidariedade nacional.
Mattarella recordou que as populações 'duramente colpite' sepuseram 'oppore determinazione e grande energia' aos acontecimentos e que a 'volontà di una vita che ricomincia' nasceu da cultura e do carácter friulano. Nas suas palavras, vem naturalmente pensar que o conceito de resiliência encontre aqui a sua origem. O presidente sublinhou que, a meio século do desastre, não se trata apenas de fazer memória: é reconhecer um evento que marcou a história destes territórios, destas comunidades e de toda a Itália.
Do lado do governo, a primeira-ministra Giorgia Meloni destacou a onda de solidariedade nunca vista, com 'centenas de milhares' de voluntários chegados de toda a península. Meloni afirmou que foram os próprios friulanos que moveram esse impulso nacional, citando o princípio 'verba movent, exempla trahunt' e evocando a famosa frase 'Il Friuli ringrazia e non dimentica'. Reforçou que a Itália inteira não esqueceu e que aquele exemplo permanece atual.
A chefe do Executivo acrescentou que há eventos que formam a consciência de um povo, fortalecendo o sentido de pertença, e que a principal tarefa das gerações presentes é transmitir essa experiência aos filhos. A celebração foi definida como dedicada às vítimas do sismo e a todos os que, no dia a dia, têm o dever de tirar proveito da lição deixada pelos que trabalharam pela reconstrução e pelo futuro.
Como repórter político focado na intersecção entre as decisões de Roma e a vida das comunidades, observo que a cerimônia em Gemona exerce a função de ponte entre memória e política pública. A invocação da resiliência não pode ficar apenas no símbolo: exige o peso da caneta nas decisões sobre prevenção, investimento em infraestruturas e apoio às populações atingidas. A reconstrução após 1976 foi, de fato, um grande exemplo de mobilização cívica e de cooperação institucional — uma obra coletiva que serviu de alicerce para políticas futuras.
Ao lembrar os voluntários e o esforço dos friulanos, a mensagem endereçada por Mattarella e Meloni aponta para duas responsabilidades concretas: manter viva a memória e transformar essa memória em políticas eficazes de proteção civil e coesão social. Derrubar as barreiras burocráticas que impedem respostas rápidas em situações de emergência deveria ser uma prioridade, para que a lição do passado se traduza em prevenção e defesa da vida hoje.
Esta celebração é, portanto, mais que um rito anual. É um chamado para que a sociedade e o poder público consolidem os instrumentos necessários a preservar comunidades vulneráveis, reforçando os laços que conectam cidadãos, instituições e Estado — os verdadeiros alicerces da cidadania democrática.