Mattarella em San Severino: “Agora e sempre Resistência” e a paz como direito de todos

Mattarella em San Severino: 'Agora e sempre Resistência'. O Presidente afirma que a paz é direito de todo povo no 81º aniversário da Libertação.

Mattarella em San Severino: “Agora e sempre Resistência” e a paz como direito de todos

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Mattarella em San Severino: “Agora e sempre Resistência” e a paz como direito de todos

Por Giuseppe Borgo — Em cerimônia que marca o 81º aniversário da Liberacão, o Presidente da República, Sergio Mattarella, reafirmou em San Severino Marche a centralidade da Resistência como alicerce moral da República e sublinhou que a paz é um direito de todos os povos. O discurso ocorreu depois da tradicional homenagem no Altare della Patria, em Roma, onde o Presidente depositou a coroa em memória dos caídos.

Mattarella evocou as palavras do escritor americano William Faulkner — "o passado nunca morreu, não está sequer passado" — para lembrar que os acontecimentos históricos continuam a modelar o presente. "O que aconteceu não desaparece, vive nas consequências que produziu. O passado moldou o presente. É por isso que para a República vale o compromisso que exorta: agora e sempre Resistência!", afirmou o Chefe de Estado.

Escolher San Severino Marche para a celebração não foi casual: a cidade carregou nos últimos anos as cicatrizes do sismo de dez anos atrás e das recentes inundações. Para Mattarella, a escolha confirma a vontade coletiva de reconstruir e ressurgir. "A República agradece ao povo das Marcas pelo contributo dado à sua fundação e ao seu desenvolvimento. Viva a Liberacão, viva a República", concluiu.

O Presidente recordou ainda a natureza transnacional da resistência à tirania: ao lado dos partigiani italianos lutaram combatentes de várias nações, porque a liberdade e a justiça não reconhecem fronteiras. "Unia a populações e Resistentes, em cada país, a aspiração comum à paz", disse. Contra as ditaduras que transformaram a guerra em retórica e valor, a resposta da história foi um apelo único: paz.

Mattarella lembrou que, após as convulsões do século XX, a comunidade internacional procurou, pela via das Nações Unidas, libertar o mundo do horror das guerras e, pela unidade europeia, assegurar que o nosso continente não retornasse ao conflito. Esse projeto, disse, foi parte da construção dos direitos que regem a convivência democrática: uma verdadeira ponte entre nações que traduz o peso da caneta em instrumentos de segurança coletiva.

A cerimônia em Roma, realizada no Altare della Patria, teve início com a chegada do Presidente, que foi recebido pelo Ministro da Defesa, Guido Crosetto. Estavam presentes as principais autoridades do Estado, entre elas os presidentes do Senado e da Câmara, Ignazio La Russa e Lorenzo Fontana, e a Presidente do Conselho, Giorgia Meloni. Após um momento de silêncio e o rito da coroa, Mattarella cumprimentou autoridades militares e representantes das associações combatentísticas.

Ao deixar Roma rumo a San Severino, o Presidente manteve o tom que atravessa suas intervenções sobre memória e responsabilidade pública: a lembrança histórica serve para fortalecer os alicerces da cidadania, derrubar barreiras burocráticas que atrasam a reconstrução e reafirmar o compromisso de que a paz é — e deve permanecer — o direito inalienável de cada pessoa e de cada povo.