Meloni critica "pena desproporcional" para Mario Roggero e confirma: disse a Nordio para avançar com investigação sobre a graça

Meloni critica pena contra Mario Roggero como desproporcional e diz que pediu a Nordio para instruir investigação sobre a graça presidencial.

Meloni critica "pena desproporcional" para Mario Roggero e confirma: disse a Nordio para avançar com investigação sobre a graça

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Meloni critica "pena desproporcional" para Mario Roggero e confirma: disse a Nordio para avançar com investigação sobre a graça

A primeira-ministra Giorgia Meloni voltou a afirmar que a sentença contra o joalheiro Mario Roggero é desproporcional e revelou ter pedido ao ministro da Justiça, Carlo Nordio, que desse prosseguimento à instrução sobre um possível pedido de graça. As declarações, publicadas no Corriere della Sera, reacendem o debate sobre a proporcionalidade das penas e sobre os limites do poder de intervenção do Executivo no sistema judiciário.

Meloni questionou a coerência das penas aplicadas no país: "Não se podem dar 8 anos a pedófilos ou menos de 10 anos a casos de estupro coletivo e depois condenar alguém à morte social e à prisão perpétua este joalheiro", disse a chefe de governo, referindo-se ao contraste entre diferentes decisões judiciais e à necessidade de revisar os alicerces que sustentam a aplicação das penas.

Sobre a investigação para eventual concessão da graça, Meloni foi clara: "Certo que eu disse a Nordio para ir em frente". Ela sublinhou, porém, que a prerrogativa de conceder perdão é exclusivamente do Quirinale, mas defendeu o papel do ministro da Justiça em instruir o procedimento: "Uma coisa é o poder de conceder a graça e ninguém jamais contestou que essa prerrogativa pertença só ao Quirinale, mas isso não impede que o Guardasigilli instrua o procedimento".

A primeira-ministra também pediu "maior consideração" sobre as circunstâncias que levaram Roggero à sentença definitiva pelo homicídio de dois assaltantes: segundo Meloni, é preciso levar em conta o estado de desespero, o stress extremo e a dor das vítimas que enfrentam violência. "Quem é capaz de medir o sofrimento, o trauma, o stress e o medo desse homem?", questionou. Afirmou ainda que muitos julgamentos são feitos sem o benefício da dúvida e que seria prudente colocar mais questões antes de concluir.

Meloni destacou as dificuldades de traçar uma linha nítida entre defesa e excesso: "É um erro acreditar que se possa distinguir de forma nítida o momento em que cessa a incapacidade emocional e o efeito de uma ameaça, passando assim de defesa legítima a ato proibido". Ela lembrou a literatura científica sobre como a adrenalina altera percepções e reações — "o nosso cérebro e corpo entram em modo 'combate'", afirmou — e disse que até profissionais treinados têm dificuldades em controlar picos emocionais em situações de alto risco.

Por fim, a primeira-ministra lembrou ter iniciado a tramitação de uma nova lei para impedir o ressarcimento civil às famílias dos assaltantes mortos, argumentando que, do contrário, as vítimas de roubos como Roggero "são condenadas duas vezes". A posição do governo insere-se em uma tentativa de reforçar o reconhecimento da legítima defesa no ordenamento, reformulando a arquitetura da lei sobre respostas a agressões.

O vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, visitou por dois dias consecutivos o presídio de Bollate, em Milão, para encontrar Roggero, gesto que politiza ainda mais o caso e mantém a questão na frente do debate público.

Enquanto isso, a sociedade italiana observa o desenrolar do processo como se montasse uma ponte entre regras e vida real — exigindo que os alicerces da justiça sejam firmes, mas também sensíveis ao contexto humano que os atravessa.