Meloni defende o Piano casa para 'rigenerar as cidades' e destaca lojas como presídio territorial

Meloni defende o Piano casa para regenerar cidades, valorizar lojas de bairro e alerta sobre impostos e riscos da inteligência artificial.

Meloni defende o Piano casa para 'rigenerar as cidades' e destaca lojas como presídio territorial

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Meloni defende o Piano casa para 'rigenerar as cidades' e destaca lojas como presídio territorial

“O Piano casa é uma oportunidade importante não apenas para garantir uma moradia a preço justo, mas também para tentar rigenerar as nossas cidades e tornar os espaços mais acolhedores e humanos”. Assim falou a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, ao intervir na assembleia da Confcommercio, em Roma. A premiê colocou a proposta como uma frente que reúne dimensão econômica, mas também uma questão identitária e cultural: recuperar a história e a tradição como alicerces de um novo projeto urbano.

“Imaginemos juntos um novo modelo de desenvolvimento urbano que coloque as pessoas no centro”, acrescentou Meloni, referindo-se aos programas previstos de edilizia integrata, que visam coordenar a oferta residencial com o desenvolvimento de um tecido de estabelecimentos comerciais e serviços de vizinhança. Na sua intervenção, a primeira-ministra fez questão de sublinhar o papel dos comércios de bairro como presídio territorial, elementos da cidade que “nenhuma plataforma online poderá substituir”.

Na perspectiva de Giuseppe Borgo — que observa as decisões de Roma como peças na construção dos direitos dos cidadãos — a proposta do governo aparece como tentativa de recalçar os laços entre a arquitetura do espaço urbano e a vida quotidiana dos moradores: é preciso erguer pontes entre políticas públicas e o cotidiano, derrubar barreiras burocráticas para que a regeneração urbana funcione como projeto de cidadania.

Meloni voltou-se também ao tema da tassação, reafirmando a intenção do governo de reduzir impostos aos italianos enquanto, segundo ela, “outros querem tributar os patrimônios”. O próprio discurso do governo, porém, tem de ser confrontado com os números: a pressão fiscal em Itália aumentou nos três anos do atual Executivo, de 41,7% do PIB em 2022 para 42,6% em 2024, com previsão de 42,8% para 2025. Em 2024, as receitas de IRPEF cresceram de forma a pesar sobre assalariados e pensionistas, segundo dados do ISTAT.

Outro capítulo do discurso foi dedicado à inteligência artificial, que Meloni definiu como “uma das questões mais complexas do nosso tempo”. A premiê recordou o Cdm convocado para aprovar decretos de aplicação das normas sobre IA e apontou riscos centrais: a substituição do trabalho intelectual, a concentração de riqueza e o impacto imprevisível sobre o mercado laboral. “Risco objetivamente um mundo onde muitas pessoas não serão mais necessárias e a riqueza se verticaliza”, alertou, defendendo uma governança que ultrapasse fronteiras nacionais. Meloni citou ainda, em tom de agradecimento, as reflexões do “papa Leone” sobre o tema.

O recado final foi prático e vigilante: a tecnologia precisa de regras que permitam aproveitar o potencial sem deixar de limitar os riscos. É uma chamada para construir, com responsabilidade, os alicerces de uma cidade e de uma economia mais humanas — um projeto que exige tanto a força da caneta do legislador quanto a participação ativa das comunidades e dos comerciantes locais.