Morre Umberto Bossi, o 'Senatùr' e fundador da Lega; funerais serão em Pontida no domingo
Morre Umberto Bossi, fundador da Lega; funerais em Pontida no domingo. Reações políticas e legado do 'Senatùr' na política italiana.
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Morre Umberto Bossi, o 'Senatùr' e fundador da Lega; funerais serão em Pontida no domingo
Morreu no hospital de Varese, onde estava internado em terapia intensiva, Umberto Bossi, o histórico fundador da Lega Lombarda que mais tarde se transformou na Lega Nord. Conhecido como Senatùr, Bossi marcou mais de quatro décadas da política italiana, fazendo da radicalidade e da intransigência um estilo que o levou ao governo, ao Parlamento Europeu e à Câmara dos Deputados.
Figura simbólica do secessionismo da Padania e do slogan contra “Roma Ladrona”, Bossi ficou associado a imagens e gestos diretos: a canotta branca, bordões ásperos como “La Lega ce l'ha duro”, alcunhas irreverentes — entre elas o famoso “Berluskaiser” dirigido ao Cavaliere —, os encontros em Pontida e a ampola com água do rio Po. Esses elementos funcionaram como sinais de uma política sem rodeios, que se apoiou na construção de identidades regionais e na mobilização de uma base popular.
No currículo político, Bossi foi sete vezes deputado, duas vezes senador e, ao lado de Silvio Berlusconi, ocupou o ministério por três ocasiões. Sua trajetória também foi marcada por problemas de saúde: após um quadro isquêmico em 1991 e um mal-estar em 1996, em 2004 sofreu um acidente vascular cerebral que o levou a renunciar ao cargo de ministro e a optar por um assento no Parlamento Europeu.
Em 2012, deixando a direção ativa da formação que havia fundado em 1984, Bossi permaneceu como presidente federal de um partido que viria a ver a ascensão de Matteo Salvini. Desde então, a Lega mudou feições, mas a lembrança do Senatùr como alicerce fundador permaneceu presente na retórica do partido.
O anúncio da morte gerou reações imediatas: a Lega declarou luto, e o líder do partido, Matteo Salvini, cancelou compromissos previstos para sexta-feira, prometendo que “continuaremos no seu caminho”. O presidente da República, Sergio Mattarella, saudou Bossi como “um político apaixonado e um sincero democrata”. A primeira-ministra Giorgia Meloni reconheceu o “contributo fundamental” de Bossi para a formação do primeiro bloco de centro-direita na Itália. O tom de pesar foi, no entanto, amplo e alcançou espectros distintos: Giuseppe Conte, Matteo Renzi, Laura Toff, e os líderes da oposição também prestaram homenagens, em sinal de que a sua figura foi — por controvérsia e relevância — um protagonista da cena política.
Nas ruas de Varese apareceu de madrugada uma faixa de quase cinco metros com os dizeres “Grazie Capo, Padania libera”, colocada no viaduto de viale Europa, visível a quem desembarca da autoestrada Milano-Varese. O gesto foi reivindicado pelos Giovani Padani, que lembraram o fundador como referência para prefeitos, conselheiros regionais, parlamentares, ministros, militantes e cidadãos. Em Gemonio, onde vive a família Bossi, a casa da família permaneceu em silêncio desde a notícia, vigiada por patrulhas dos carabinieri. A sede histórica da Lega em Varese, na piazza Podestà, foi aberta extraordinariamente e militantes colocaram um novo recado: “Siamo tutti figli tuoi”.
Ao lado dos familiares, estiveram presentes os filhos: Renzo Bossi, Eridano Sirio e Roberto Libertà, reunidos na vila de Gemonio. A família decidirá onde instalar a capela ardente; a confirmação do local e dos arranjos fúnebres foi aguardada pela comunidade.
Os funerais foram anunciados para o domingo em Pontida, local simbólico das comemorações e da memória do movimento fundado por Bossi. A cerimônia promete reunir quadros do partido, autoridades e militantes que, mesmo com visões distintas sobre o legado, reconhecem a importância do seu papel na arquitetura do voto e na construção de um novo espaço político regionalista na Itália.
Como repórter, mantenho a atenção sobre os desdobramentos: onde será a capela ardente, como será organizada a cerimônia em Pontida e qual será o impacto imediato nas dinâmicas internas da Lega. A morte de Umberto Bossi fecha um capítulo que ajudou a edificar grande parte das atuais estruturas do centro-direita italiano — cabe agora avaliar como as novas pedras dessa construção política serão assentadas.


