Pichetto Fratin antecipa novo referendo sobre o nuclear e coloca o eólico no centro da transição
Pichetto Fratin antecipa novo referendo sobre o nuclear (2028-2029) e prioriza o eólico para acelerar a transição e energética da Itália.
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Pichetto Fratin antecipa novo referendo sobre o nuclear e coloca o eólico no centro da transição
Por Giuseppe Borgo — O ministro do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, reacendeu o debate sobre o nuclear em declarações feitas nas OGR de Turim, durante o evento "Da Fermi al futuro". Em tom firme e técnico, o ministro disse considerar praticamente certo um novo referendo entre 2028 e 2029, lembrando que a participação popular é um direito garantido pelos alicerces da Constituição.
O anúncio ocorre no rastro da aprovação na Câmara do projeto de lei delega sobre o chamado "nucleare sostenibile", que avançou com 155 votos a favor, 86 contra e 8 abstenções. O texto prevê medidas que vão do desmantelamento dos antigos locais nucleares à possibilidade de os municípios se candidatarem para receber os novos sítios, além da previsão — confirmada por Pichetto Fratin — de os primeiros reatores entrarem em operação a partir de 2034.
Na explicação pública, o ministro destacou que a discussão sobre tecnologias como os mini-reatores SMR (Small Modular Reactors) e os reatores avançados AMR (3ª e 4ª geração, com potências que podem chegar a cerca de 300 MWe) faz parte da arquitetura de longo prazo do sistema energético. "É natural que, em democracia, se possam recolher assinaturas para um referendo", afirmou, acrescentando que a prioridade do governo deve ser garantir máxima clareza e transparência no processo e nas respostas técnicas.
Paralelamente ao debate nuclear, o ministro reteve especial atenção para as fontes renováveis, em particular para o eólico. Pichetto Fratin disse: "Confirmo o compromisso do ministério com o eólico, tanto pela sua potencialidade na descarbonização quanto pelo apoio aos operadores na definição das novas regras do FER2" — referência ao decreto de incentivos para o eólico offshore que precisa ser revisto.
Os dados evocam a necessidade de acelerar esse eixo: nos últimos dois anos, as instalações renováveis cresceram mais de 7 GW por ano, porém a maior parte foi fotovoltaico, enquanto o eólico ficou em apenas 1,2 GW. Pichetto Fratin admitiu que há um problema de aceitação social e resistências por parte dos entes locais, e ressaltou o empenho do ministério em simplificar procedimentos e implementar incentivos para remover obstáculos burocráticos — uma tentativa de "derrubar barreiras administrativas" e construir a ponte entre decisão pública e investimento privado.
Do ponto de vista institucional, a proposta de permitir candidaturas municipais para sediar os futuros parques nucleares abre uma nova fase de negociação territorial: trata-se de oferecer aos governos locais uma participação explícita no processo, com contrapartidas e planos de desmantelamento seguros para instalações já presentes no território nacional. Em síntese, o governo prepara um duplo caminho: a construção dos alicerces legais e industriais para o nuclear, enquanto empurra com mais força o desenvolvimento do eólico como peça-chave da transição.
Como repórter e observador das intersecções entre as decisões de Roma e a vida dos cidadãos, concluo que a proposta de novo referendo não é apenas um evento plebiscitário potencial: é o reflexo de uma arquitetura política que terá impacto direto sobre planejamento territorial, empregos locais e o ritmo da descarbonização. O peso da caneta do legislador, somado à aceitação social, definirá os próximos passos dessa construção de direitos e responsabilidades.