Pride em Roma: enquanto 65 Estados ainda criminalizam a homossexualidade, Keshet participa a pé após acordo
Pride em Roma reúne 30 carros; Keshet participa a pé após acordo. Homossexualidade é crime em 65 países, com ameaças graves em alguns como Uganda.
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Pride em Roma: enquanto 65 Estados ainda criminalizam a homossexualidade, Keshet participa a pé após acordo
Hoje, o Pride desfila em Roma em meio a uma realidade contrastante: em 2025 aumentou, pela primeira vez em décadas, o número de países que criminalizam atos sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo. Atualmente, a homossexualidade é ainda considerada crime em 65 Estados membros das Nações Unidas — em alguns, como em parte das legislações de Uganda, a pena de morte permanece uma ameaça concreta para pessoas LGBTQIA+.
A capital italiana se prepara para receber 30 carros alegóricos na parada, mas uma das histórias que antecedem a manifestação foi a tensão entre o Roma Pride e a associação judaica Keshet Italia, organização LGBTQIA+ que havia criticado parte do documento político do evento. Ontem, após conversas públicas e privadas mediadas pelo Comune di Roma, as partes chegaram a um acordo: Keshet participará da parata, porém sem carro — integrando um bloco a pé.
Mario Colamarino, porta-voz do Roma Pride, explicou a solução como fruto de responsabilidade coletiva: "Em função do documento político deste ano e da presença da palavra 'genocídio', entendemos que a participação com carro significaria adesão àquela plataforma. Por isso, Keshet estará presente em um spezzone a piedi". Colamarino lembrou que no ano anterior o termo não figurava no documento político e que divergências deste ano impediram a participação de um carro.
"Houve muitas reflexões dentro da comunidade — continuou Colamarino — e, ao nos encontrarmos, percebemos pontos de vista divergentes. Encontrar uma forma de participação que permita diálogo é positivo para o movimento como um todo." A solução foi descrita como um primeiro passo para "um percurso a tappe di dialogo" entre posições diversas.
A confirmação pública da participação foi feita durante coletiva de imprensa que reuniu parlamentares, ativistas e figuras da sociedade civil: estiveram presentes Ivan Scalfarotto, Renata Polverini, Anna Paola Concia, Piero Fassino e a vice-presidente do Parlamento Europeu, Pina Picierno. Os mesmos protagonistas haviam apoiado nos dias anteriores uma carta aberta ao prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, subscrita por mais de 2.000 pessoas.
Em nota, a Keshet ressaltou que o direito de manifestar orgulho e o reconhecimento da igual dignidade de todos os componentes da comunidade são "os alicerces sobre os quais se constrói uma democracia real". A associação destacou que a mobilização das últimas semanas e o acordo alcançado mostram que a sociedade civil e as instituições podem construir pontes mesmo quando prevalecem contradições.
Do ponto de vista cívico, o episódio ilustra como o peso da caneta — aqui, o conteúdo político oficial do Pride — pode erguer ou derrubar pontes dentro da própria comunidade. A decisão de acolher Keshet a pé é uma tentativa prática de conciliar pluralidades sem sacrificar o debate político.
Enquanto Roma se prepara para a marcha, o contexto internacional lança uma sombra sobre a celebração: a existência de 65 Estados que mantêm a criminalização da orientação sexual lembra que a construção de direitos continua incompleta, e que o trabalho diplomático e de proteção a migrantes e refugiados LGBTQIA+ é parte essencial da agenda humanitária e política. O desafio agora é unir a vocação festiva do Pride com a urgência de ações concretas contra a violência e a perseguição, tanto dentro quanto fora da Itália.
Como repórter atento aos alicerces da lei e às vidas reais que dela dependem, seguirei acompanhando a marcha e as reações institucionais, traduzindo o que as decisões de Roma significam na prática para cidadãs e cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes.