Salvini convoca petroleiras em Milão para frear o alto dos combustíveis e afirma: “Itália não está em guerra”
Salvini convoca petroleiras em Milão para conter o aumento dos preços dos combustíveis e diz que a Itália não está envolvida na guerra. Reunião busca compromissos.
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Salvini convoca petroleiras em Milão para frear o alto dos combustíveis e afirma: “Itália não está em guerra”
Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — O ministro das Infraestruturas e dos Transportes, Matteo Salvini, convocou para amanhã em Milão um encontro com as principais compagnie petrolifere com o objetivo de conter o caro carburanti e exigir compromissos concretos contra os extra profitti verificados após o ataque entre EUA, Israel e Irã. A iniciativa, anunciada em entrevista à RTL 102.5, busca evitar que o aumento dos preços recaia sobre as famílias e as empresas.
“Ho convocato domani, insieme al ministro dell’Economia, a Milano le principali compagnie petrolifere, perché non è tollerabile una speculazione come quella vista nelle ultime settimane”, declarou Salvini, sublinhando a necessidade de respostas imediatas do setor energético. O vice-premier deixou claro que pretende sair da reunião com compromissos formais das empresas, equiparando a situação com os lucros extraordinários observados no setor bancário nos últimos anos.
Na sua intervenção, Salvini também criticou a ausência de uma estratégia europeia coordenada sobre energia: “I Paesi Ue si muovono in ordine sparso”, disse, apontando para medidas díspares — de tetos de preços a intervenções nas taxas — e chamando a atenção para países que continuam a comprar petróleo da Rússia. Para ele, isso deveria ser reavaliado em Bruxelas para não transferir o custo da crise exclusivamente para as famiglie e imprese.
No plano geopolítico, Salvini reafirmou a linha cautelosa do governo italiano: “Italia non è in guerra”. O líder da Lega frisou que a Itália não está em conflito nem com a Rússia nem com o Irã e que as forças nacionais em missões no exterior atuam para proteger a paz, não para provocar ou intensificar confrontos. Sobre o papel dos EUA na escalada, Salvini criticou a forma como Washington teria comunicado as ações aos aliados, questionando se todas as consequências foram devidamente avaliadas.
Salvini também advertiu sobre riscos de escalada: a ideia de enviar navi da guerra para uma zona já conflituosa poderia, na sua visão, aproximar o mundo de uma terceira guerra mundial. “Bene quindi la prudenza del governo”, afirmou, endossando a postura contida adotada por Roma.
Sobre as missões italianas, com foco no Libano e em outras áreas sensíveis, Salvini lembrou que os militares não estão ali para atacar, mas para defender — uma presença que, no entanto, os expõe ao risco de se encontrarem “entre dois fogos”.
Na tradução prática dessa chamada de Salvini, trata-se de uma tentativa de erguer alicerces políticos e económicos que aliviem o peso da crise sobre a vida cotidiana: cobrar responsabilidade das empresas como parte da construção de direitos e da proteção da sociedade. O encontro em Milão será, nos próximos dias, teste para ver se a retórica da “proteção das famílias e das empresas” se transforma em compromissos concretos ou em mais palavras no palco da política.
Giuseppe Borgo — Espresso Italia


