Schlein mira 2027: “Derrotaremos Giorgia Meloni — já temos uma coalizão”
Elly Schlein afirma que o centro-esquerda já tem coalizão e mira derrotar Giorgia Meloni em 2027; critica reforma da justiça e fala sobre relações internacionais.
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Schlein mira 2027: “Derrotaremos Giorgia Meloni — já temos uma coalizão”
Em entrevista ao programa 'In altre parole' na La7, a secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, projetou o horizonte eleitoral e deixou claro o objetivo: "Noi batteremo Giorgia Meloni alle prossime elezioni politiche". Para Schlein, a batalha política não se resume ao resultado do referendo sobre a reforma da justiça: trata-se de reconstruir um campo político capaz de oferecer alternativa concreta ao governo atual.
Schlein sublinhou que, até agora, o seu campo nunca pediu ao eleitorado para usar o plebiscito como forma de "votar contra este governo". A líder do PD criticou a reforma, afirmando que ela nasce da lógica segundo a qual "quem obtém um voto a mais nas eleições não deve estar sujeito a um controle di legalidade". "Nós acreditamos que quem governa deve ser julgado e submetido a controles, como acontece com todos os cidadãos" — afirmou, reforçando a ideia de que os alicerces da lei não podem ser flexibilizados para acomodar o poder.
Reconhecendo a derrota de 2022, Schlein atribui parte do êxito de Giorgia Meloni à fragmentação do campo progressista: "Meloni venceu também porque o nosso campo estava dividido, não havia uma coalizão". Hoje, segundo ela, o cenário é outro: "Trabalhando arduamente nesses três anos, podemos dizer que existe uma coalizão. Apresentámo-la junta em todas as regiões que foram às urnas em 2025. Ganhámos várias delas, bem como muitos municípios". Ainda assim, há muito trabalho pela frente no que diz respeito ao programa e às modalidades para escolher a liderança da frente de centro-esquerda.
Sobre a escolha do líder da coalizão, Schlein foi pragmática: "A modalidade para identificar o líder da coalizão de centro-esquerda 'la sceglieremo insieme' — escolhemos juntos". Ela lembra que existem opções: acordos diretos, como propõe a direita — "quem pega um voto a mais" — ou procedimentos participativos, como primárias, às quais já declarou disponibilidade.
No plano internacional, a secretária do PD revelou que mantém linhas de diálogo com a chefe do governo: "Com a presidente do Conselho, concordámos que nos falaremos sempre que for necessário" sobre o Irã. Schlein defende que é positivo haver um canal aberto entre governo e oposição, mas exige também que o Executivo actue como ponte com líderes como Trump e Netanyahu para "dizer-lhes que parem essa guerra ilegal que os italianos não querem pagar". "A democracia não se exporta com bombas", disse, numa metáfora que lembra a necessidade de construir pontes, não muros.
Criticando a aproximação de Meloni a Trump, Schlein afirmou: "Não me ocorreria propor o Nobel da Paz a alguém que sob seu mandato bombardeou sete países em um ano e trouxe caos às ruas das próprias cidades". Lembrou episódios como as intervenções de agentes federais do ICE que atiraram contra cidadãos americanos, usando-os como exemplo de como certas políticas externas e a subserviência a visões belicistas podem prejudicar os interesses nacionais italianos.
Como repórter atento ao peso da caneta e à arquitetura do voto, observo que a narrativa de Schlein é construída para transformar vitórias regionais em alicerces de uma alternativa nacional. A coalizão existe, diz ela, agora falta afinar o projeto e as regras de escolha dos líderes — uma obra pública da política que precisa de consenso e transparência.


