Domingo de Ramos abre a Semana Santa; Papa Leone clama: “Deponham as armas”

Domingo de Ramos abre a Semana Santa em São Pedro; Papa Leone pede paz e clama 'deponham as armas' em homilia enfática.

Domingo de Ramos abre a Semana Santa; Papa Leone clama: “Deponham as armas”

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Domingo de Ramos abre a Semana Santa; Papa Leone clama: “Deponham as armas”

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O Domingo de Ramos marcou a abertura oficial da Semana Santa com a missa celebrada na manhã desta domingo às 10h na Praça de São Pedro, após o retorno do Papa ao Vaticano na noite anterior, proveniente de uma viagem relâmpago ao Principado de Mônaco.

Foi a primeira vez que o Papa norte-americano presidiu o rito de entrada que abre a Semana Santa, iniciando a cerimônia com a procissão que partiu do obelisco até o sagrato da Basílica de São Pedro. As autoridades da Santa Sé informaram a distribuição de aproximadamente 120 mil ramos de oliveira aos fiéis reunidos na praça.

A programação litúrgica para o Tríduo Pascal foi detalhada pela Santa Sé. Na Quinta-feira Santa, 2 de abril, o Papa Prevost presidirá a missa crismal na Basílica de São Pedro; no período da tarde ocorrerá a missa in Coena Domini com a tradicional lavanda dos pés. Esta celebração marca o retorno do bispo de Roma à sua catedral, a de São João de Latrão, uma opção que difere da prática adotada no pontificado anterior, quando as celebrações manteve-se em contextos de sofrimento, como prisões e instituições.

No Sexta-feira Santa, 3 de abril, o pontífice presidirá a celebração da Paixão do Senhor em São Pedro e, à noite, estará no Coliseu para conduzir a Via Crucis. No sábado, 4 de abril, presidirá a Vigília Pascal em São Pedro. No domingo de Páscoa, celebração e a bênção Urbi et Orbi encerrarão os ritos centrais da Semana Santa.

Muitos fiéis compareceram à missa de abertura dos ritos pascais. O Papa Leone conduziu a procissão acompanhado por cardeais, bispos e celebrantes, enquanto os ramos — descritos por testemunhas como predominantemente amarelos — reavivavam a memória do ingresso de Jesus em Jerusalém.

O tom da homilia foi um apelo direto à paz. Em um novo e enfático pedido, o pontífice disse: Abbiate pietà, deponete le armi — traduzido no discurso como deponham as armas — e exortou as nações a reconhecerem a fraternidade humana. "Cristo, Rei da paz, clama ainda da sua cruz: Deus é amor. Tenham piedade. Deponham as armas, lembrem-se que são irmãos", afirmou.

Na homilia, o Papa citou o Servo de Deus, o bispo Tonino Bello, e confiou a Maria Santíssima o clamor pelas vítimas contemporâneas: a certeza de que a morte não terá mais domínio, que as injustiças dos povos têm os dias contados, que os brilhos das guerras se reduzam e que as lágrimas das vítimas sejam finalmente enxugadas, "como a geada pelo sol da primavera", nas palavras citadas.

O pontífice também sublinhou que um Deus que é legítimo não pode ser invocado para justificar a guerra: "Um Deus que recusa a guerra, que ninguém pode usar para justificá-la. Mesmo que multiplicásseis preces, eu não ouviria: vossas mãos estão manchadas de sangue", disse, apontando para as contradições éticas diante dos conflitos contemporâneos.

Olhares voltados para a cruz levaram o pontífice a lembrar que, ao contemplar Cristo crucificado, vêm à tona os "crucificados da humanidade": civis, deslocados, marginalizados e vítimas de violência. A mensagem foi entregue com clareza técnica e sem diluição retórica, na linha do jornalismo de verificação e do rigor que orienta este relato.

Ficha técnica: cerimônia presidida na Praça de São Pedro, distribuição de ramos de oliveira, agenda do Tríduo Pascal confirmada pela Santa Sé e apelo papal renovado pela paz e pelo abandono das armas.