Leone XIV no Camarun: apelo firme por justiça, paz e combate à fome
Leone XIV encerra visita ao Camarun com apelo à paz, justiça e partilha contra a fome; missa em Douala reuniu 120 mil fiéis.
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Leone XIV no Camarun: apelo firme por justiça, paz e combate à fome
Yaoundé — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: encerrou-se a segunda etapa africana da viagem apostólica de Leone XIV ao Camarun, marcada por um apelo consistente à paz, à reconciliação e à responsabilidade social diante de elevados índices de pobreza.
Em três dias de agenda (15 a 17 de abril), o Pontífice percorreu as cidades de Yaoundé, Bamenda e Douala, onde foi recebido por multidões que ocuparam as vias públicas em saudações e manifestações de júbilo. A última missa, celebrada em Douala, reuniu cerca de 120 mil fiéis e constituiu o momento simbólico de maior visibilidade pública do nono pontificado nesta etapa africana.
Os números demográficos citados durante a visita ajudam a dimensionar o contexto em que se insere a mensagem do Papa: em um país de aproximadamente 30 milhões de habitantes, cerca de 35% se declaram católicos, 25% pertencem a outras confissões cristãs, quase 20% são muçulmanos e 16% praticam religiões tradicionais. Esse mosaico religioso aparece entrelaçado a desafios socioeconômicos que motivaram os apelos do Pontífice.
Na homilia baseada no Evangelho de João, Leone XIV colocou uma questão direta aos presentes e aos responsáveis públicos: “O que fazer diante de uma grande multidão faminta e oprimida pelo cansaço?” A pergunta, segundo o próprio Papa, dirige-se a todos — pais e mães, pastores da Igreja, agentes com responsabilidade social e política — e funciona como teste moral sobre onde está Deus diante da fome do povo.
O Pontífice destacou o caráter comunitário da solução evangélica: a multiplicação dos pães e peixes acontece na partilha. “Há pão para todos se for dado a todos”, disse, enfatizando o gesto de ação de graças como elemento fundante da operação de dar. Observou-se, em suas palavras, uma ênfase técnica sobre gratidão e bem comum, sem improvisos retóricos.
A visita aconteceu em contexto de uma tregua temporária nos conflitos armados que afetam regiões do país. A Igreja Católica no Camarun, uma das mais estruturadas na África Subsaariana, atua também em áreas duramente atingidas pela violência; essa presença institucional foi reconhecida pelo Pontífice em encontros com lideranças civis e religiosas.
No Palácio Presidencial de Yaoundé, Leone XIV proferiu um desejo público: que Deus abençoe o país, sustente suas lideranças, inspire a sociedade civil, ilumine o trabalho do corpo diplomático e conceda a todos os camaronenses — cristãos e não cristãos, dirigentes e cidadãos — condições para viver em paz e com justiça. O tom foi de apelo institucional, voltado tanto à sensibilidade religiosa quanto à responsabilidade pública.
Importante salientar: o Papa expressou gratidão especial às mulheres, leigas e religiosas, que atuam no cuidado de pessoas traumatizadas pela violência. Essa menção reforça o eixo humanitário da visita e aponta para prioridades de ação social a médio prazo.
Da perspectiva jornalística, a viagem de Leone XIV ao Camarun funcionou como raio-x do país: evidenciou fragilidades socioeconômicas, confirmou a relevância institucional da Igreja Católica e lançou um chamado claro à partilha de recursos e à reconciliação. A paz desejada pelo Pontífice, ao final da passagem, permanece condicionada a decisões políticas e a uma resposta organizada da sociedade civil.
Giulliano Martini, correspondente — Espresso Italia