Papa Leão XIV em Assis: missa histórica na Porziuncola e apelo aos jovens contra a cultura da potência

Papa Leão XIV celebra missa histórica na Porziuncola em Assis e convoca jovens a rejeitar a cultura da potência e combater o fundamentalismo.

Papa Leão XIV em Assis: missa histórica na Porziuncola e apelo aos jovens contra a cultura da potência

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Papa Leão XIV em Assis: missa histórica na Porziuncola e apelo aos jovens contra a cultura da potência

Papa Leão XIV retornou a Assis para a etapa final do encontro internacional GO! Franciscan Youth Meeting, reunião que desde 3 de agosto congrega milhares de jovens europeus por ocasião do 800º aniversário da morte de São Francisco. Em apuração in loco e cruzamento de fontes, a presença pontifícia teve caráter excepcional e simbólico.

No claustro da Basílica de Santa Maria degli Angeli, o Papa cumprimentou individualmente os frades da comunidade franciscana de Assis. Em seguida presidiu uma missa diante da pequena igreja da Porziuncola — um gesto inédito em tempos recentes, segundo registros locais: não há notícias de uma celebração eucarística pontifical naquele espaço nos últimos séculos.

A Porziuncola, construção do século XIII, é um dos locais centrais da história franciscana: ali Francisco reconheceu sua vocação, acolheu Santa Clara e os primeiros irmãos, e recebeu o chamado Perdão de Assis. As paredes da capela concentram, portanto, um duplo valor histórico e espiritual que o pontífice sublinhou ao longo do rito.

Na homilia, Papa Leão XIV renovou um apelo direto: sottrarsi alla cultura della potenza — ou, traduzindo o sentido prático para a pastoral contemporânea, a necessidade de abandonar a lógica da força e da dominação em favor da civilização do amor. "Abater os muros que separam os seres humanos não é trair a família, a cidade ou a tradição, mas libertá-las dos seus fantasmas", declarou o pontífice, enfatizando que inimigos inventados por medo promovem violência e divisão.

O Papa exortou os jovens a seguirem o exemplo de São Francisco e Santa Clara: construir "um mundo de irmãos e irmãs para apreciar e servir, não para explorar e dominar. Não um mundo a defender, mas a abraçar". O tom foi de chamada à prática: radicalidade evangélica como antídoto ao fundamentalismo, junto à promoção da humildade e da acolhida.

Pouco antes, na Praça de Santa Maria degli Angeli, o prevosto da basílica convidou os participantes a "alargar a mente e o coração" além de fronteiras artificiais, para que não cedam a medos alimentados pela desinformação ou por muros de preconceito. Leão XIV frisou que, para os cristãos, será cada vez mais requisitado o papel de operadores de paz em sociedades tentadas a instrumentalizar a religião para polarizar identidades.

Ao se dirigir especificamente aos jovens, o pontífice lembrou a importância do conhecimento de si desde a adolescência: aprender a decidir e a corresponder a um chamado — uma aventura permanente que, segundo sua experiência pessoal, o Senhor não abandona. "Sottrarsi alla cultura della potenza e construir a civilização do amor nem sempre é compreendido, mas traz grande alegria", concluiu.

Relato baseado em acompanhamento direto do evento e verificação com fontes franciscanas locais. Fatos brutos, sem adorno: a visita pontifícia a Assis confirmou a centralidade simbólica da Porziuncola e renovou o convite aos jovens para uma prática cristã livre do autoritarismo e do medo.