Papa Leone XIV: “A Ressurreição de Cristo é uma vitória não violenta que traz paz à humanidade”
Papa Leone XIV afirma que a Ressurreição de Cristo é uma vitória não violenta que traz paz à humanidade, em discurso na Praça de São Pedro.
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Papa Leone XIV: “A Ressurreição de Cristo é uma vitória não violenta que traz paz à humanidade”
Por Giulliano Martini. Apuração in loco e cruzamento de fontes.
Na primeira Páscoa do seu pontificado, Papa Leone XIV celebrou a Solenidade sob a sombra de um conflito que devasta o Médio Oriente e ameaça comunidades cristãs na região. Diante de mais de 50.000 fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice afirmou que a Ressurreição de Cristo representa uma vitória não violenta capaz de oferecer paz à humanidade.
“Cristo ressuscitou e vive entre nós”, declarou o Pontífice, sublinhando o poder transformador do mistério pascal. Em seu discurso, transmitido à multidão que acompanhava a celebração, o Papa ressaltou que a criação inteira resplandece de nova luz: “da terra se levanta um cântico de louvor; nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, nós também ressurgimos para uma vida nova”.
Ao revisitar o longo Sábado Santo — entre a Cruz e a Ressurreição — o Evangelho mostra que o Espírito suscita confiança mesmo nas trevas. No Tríduo Pascal, disse o Pontífice, os fiéis contemplaram a dor de um Deus que se reconcilia com as fraquezas humanas: mortais, perseguidos, ameaçados e sujeitos à morte. “As feridas de Jesus são as feridas do homem de todo tempo: doença, sofrimento, violência, injustiça, as feridas das nossas cidades”, afirmou, explicando que essa relação humana-divina nos liberta da ilusão de perfeição e imortalidade.
O Papa enfatizou que Jesus não apenas venceu a morte, mas permanece fonte viva que sacia a sede interior da humanidade. O anúncio pascal, segundo ele, deve iluminar as realidades concretas do cotidiano: “Este anúncio abraça o mistério da nossa vida e o destino da história; alcança-nos até aos abismos da morte que nos ameaçam e por vezes nos oprimem”.
Na sua mensagem, o Pontífice convidou os crentes a acolherem uma esperança que não se apaga: “abre-nos à esperança que não falha, à luz que não se extingue, à plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre; a morte não tem mais domínio sobre nós”.
Com tom pastoral, acessível e rigoroso, Papa Leone XIV descreveu tensões da vida moderna — a alegria e o cansaço, sucessos e perdas — e enumerou situações em que o peso do pecado e das circunstâncias sufoca a capacidade de viver: decepções, solidão, ressentimentos, tristeza, fadiga e fraquezas cotidianas. “É como estar num túnel sem saída”, disse.
O Pontífice também recordou que a presença da morte se manifesta nas injustiças, no egoísmo de grupo, na opressão dos pobres e na falta de cuidado com os mais frágeis. Ele citou a violência, as feridas do mundo, o clamor por socorro diante dos abusos que esmagam os fracos, a idolatria do lucro que saqueia os recursos da Terra e a violência da guerra que mata e destrói.
A mensagem do Papa, conforme a apuração, pretende ser um chamado claro: a Ressurreição de Cristo não é apenas evento teológico, mas impulso ético e político para trabalhar pela paz e pela justiça, recusando a violência como caminho. Trata-se de um apelo dirigido tanto à comunidade eclesial quanto às responsabilidades civis e internacionais diante dos conflitos que ameaçam vidas e comunidades.