Adolescentes cada vez mais dependentes da nicotina: primeiro 'svapo' antes dos 13 anos alarma especialistas
Jovens cada vez mais dependentes da nicotina: e-cig e svapo começam antes dos 13 e preocupam especialistas em saúde pública.
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Adolescentes cada vez mais dependentes da nicotina: primeiro 'svapo' antes dos 13 anos alarma especialistas
Em um cenário que lembra a respiração irregular de uma cidade ao entardecer, surge um dado inquietante: cerca de 4 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos na Europa já usam produtos do tabaco. Durante a segunda jornada da European Conference on Tobacco or Health (ECToH), em Milão, organizada pela LILT (Lega Italiana per la lotta contro i tumori), especialistas desenharam um quadro claro e preocupante: a emergência atual não é apenas o fumo, mas a dependência total da nicotina.
Em vários países, entre eles o Reino Unido, as sigarettes elettroniche (e-cig) superaram os cigarros tradicionais entre os mais jovens. Um estudo irlandês, realizado no âmbito do sistema de vigilância ESPAD com mais de 5.500 adolescentes de 15 a 18 anos, mostra que quase 4 em cada 10 já experimentaram o cigarro eletrônico e mais de 1 em cada 5 o usa regularmente. Ainda mais alarmante: 13,7% desses jovens tiveram o primeiro contato com o svapo antes dos 13 anos.
Na Itália, os números também apontam para uma colheita de hábitos preocupante. Estima-se que quase 1,7 milhão de pessoas entre 18 e 34 anos sejam consumidoras regulares de e-cig e de produtos de tabaco aquecido (dados ISS-ISTAT), o que representa cerca de 45% de todos os utilizadores desses dispositivos no país. A transição e a convivência entre tendências não acontecem num vácuo: o que vemos é o florescer de uma nova normalidade, onde a nicotina volta a ser percebida como moderna e socialmente aceitável.
O epidemiologista Silvano Gallus, do Istituto Mario Negri e presidente do comitê científico da ECToH Milano 2026, alertou para os riscos dessa mudança de percepção. Segundo ele, a chamada estratégia de "redução do dano" promovida pela indústria do tabaco é, em essência, uma eficaz manobra de mercado que levanta questões sérias para a saúde pública. "Hoje o problema não é mais apenas o cigarro convencional, mas a dependência de nicotina em toda a sua extensão", afirmou Gallus.
Outro fenómeno preocupante é o consumo dual: muitos jovens não abandonam o cigarro tradicional ao começar a usar e-cig, mas passam a fumar e svapar simultaneamente. Em Itália, mais de 80% dos utilizadores de cigarros eletrónicos fazem uso dual. Estudos indicam que essa combinação amplifica os riscos para a saúde em comparação com quem fuma apenas cigarros convencionais — incluindo um aumento estimado de +29% no risco cardiovascular para os que mantêm o consumo híbrido.
Como observador atento das temporadas da vida quotidiana, vejo este tema como uma mudança de estação: hábitos plantados cedo colhem consequências ao longo da vida. A promessa do produto como solução para largar o fumo muitas vezes se choca com a realidade — e a cidade respira um ar mais pesado quando a juventude aprende a conviver com a nicotina como se fosse uma companhia normal.
A conferência em Milão ampliou o foco para além do cigarro tradicional, incluindo críticas às e-cig, aos produtos de tabaco aquecido e às "nicotine pouches" — as sachês de nicotina que ganham popularidade nas redes. Se queremos preservar a paisagem do bem-estar das próximas gerações, será preciso cuidar das raízes: políticas públicas mais firmes, campanhas educativas que falem ao tempo interno do corpo e menos artifícios de marketing que apresentem a dependência como escolha moderna.
Enquanto isso, resta-nos observar, conversar e plantar hábitos que favoreçam um despertar mais saudável — porque a saúde coletiva é, ao fim, a verdadeira colheita de uma sociedade.