Muoviti: campanha alerta para o impacto da espasticidade na vida diária
Muoviti, campanha da Ipsen com A.L.I.Ce. Italia, alerta sobre a espasticidade e seu impacto na vida diária, mobilidade e qualidade de vida.
RESUMO ✦
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Muoviti: campanha alerta para o impacto da espasticidade na vida diária
Vestir um jeans, erguer uma mochila, preparar um café: gestos que o corpo costuma realizar como quem segue uma pequena coreografia automática. Para milhões de pessoas, porém, essa coreografia encontra resistência — um atrito interno que transforma movimentos simples em pequenas batalhas. É a partir dessa imagem cotidiana que nasce Muoviti, a campanha de sensibilização promovida pela biofarmacêutica Ipsen, com o patrocínio de A.L.I.Ce. Italia OdV, que busca lançar luz sobre a espasticidade.
A espasticidade é uma consequência de uma lesão do sistema nervoso central, manifesta por um aumento involuntário do tônus muscular. Muitas vezes acompanhada de dor, ela provoca rigidez e limita a mobilidade, tornando difíceis gestos que para a maioria parecem triviais. A campanha quer traduzir essa experiência em palavras e imagens, para que a sociedade reconheça que a inacessibilidade também pode estar inscrita no corpo.
Segundo dados citados pela iniciativa, a espasticidade afeta mais de 12 milhões de pessoas no mundo. Pode atingir até 80% dos pacientes com esclerose múltipla e cerca de 90% das pessoas com paralisia cerebral. Após um ictus, estima-se que aproximadamente 4 em cada 10 indivíduos podem desenvolver sintomas de espasticidade. Esses números apelam para um olhar atento: não se trata apenas de estatística, mas de rotinas transformadas e oportunidades postergadas.
“A condição pode ser fortemente invalidante”, observa Carmelo Chisari, professor associado de Medicina Física e Reabilitação. A frase é um convite à empatia e à ação: reconhecer o impacto funcional e emocional da espasticidade é o primeiro passo para melhorar acesso a cuidados e estratégias de manejo.
Como observador sensível dos ritmos que moldam o bem-estar, vejo nesta campanha uma tentativa de sintonizar a respiração da cidade com os ritmos do corpo. Muoviti propõe que a sociedade entenda a espasticidade não só como um sinal clínico, mas como uma presença diária que altera hábitos, escolhas e horizontes. A iniciativa enfatiza que pequenas adaptações — serviços mais acessíveis, equipes multidisciplinares, informação clara — podem replantar a esperança no terreno do cotidiano.
Para quem convive com espasticidade, a estrada da recuperação muitas vezes exige um compasso delicado entre terapias físicas, suporte farmacológico e medidas de autocuidado. A campanha busca também aproximar profissionais, pacientes e familiares, promovendo conhecimento e reduzindo o isolamento que acompanha tantos quadros crônicos.
Se a cidade é uma paisagem que respiramos em conjunto, então é justo que seus caminhos sejam desenhados para todos os passos — os rápidos e os que precisam de mais tempo. Muoviti quer lembrar que cada gesto recuperado é uma pequena colheita de autonomia: um café servido, um abraço dado, um dia vivido com maior liberdade.
Em última análise, a escolha é coletiva: podemos continuar a ignorar as dificuldades escondidas entre os gestos, ou podemos cuidar da infraestrutura humana — de serviços de saúde, de informação e de acolhimento — para que a mobilidade volte a ser um bem compartilhado. Muoviti é um chamado para mover não só os corpos, mas também os olhares e as decisões que moldam a qualidade de vida.

