Aumento de €5 no preço do tabaco: medida mira jovens e o crescimento do uso de e-cigarettes

Proposta de aumento de €5 no tabaco mira queda do fumo; uso de e-cig e tabaco aquecido quase dobrou entre 2021 e 2025, especialmente entre jovens.

Aumento de €5 no preço do tabaco: medida mira jovens e o crescimento do uso de e-cigarettes

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Aumento de €5 no preço do tabaco: medida mira jovens e o crescimento do uso de e-cigarettes

Por Alessandro Vittorio Romano — A paisagem do consumo de nicotina na Itália mostra sinais de transformação: em quatro anos, quase dobrou o uso de e-cig e de produtos de tabaco aquecido, passando de 3,9% em 2021 para 7,4% em 2025. O fenômeno ganha contornos mais nítidos entre os mais jovens: entre os 18 e 34 anos o uso chega a 16,5%, enquanto decresce progressivamente nas faixas etárias superiores, até atingir apenas 1,4% entre os maiores de 65 anos.

Como observador das rotinas e dos ciclos que moldam a saúde pública, vejo essa mudança como o sopro de uma nova estação — um despertar inquieto que pede respostas. Daí a urgência de uma norma que não apenas pressione o preço do cigarro tradicional, mas abarque todos os produtos de inalação de nicotina. A proposta de iniciativa popular que pede um aumento de 5 euros no custo de cada maço e em todos os produtos fumígenos e inaláveis parte justamente dessa lógica: tornar mais caro o hábito para reduzir seu alcance e, sobretudo, proteger as próximas colheitas — nossos jovens.

Três meses e meio após o lançamento da campanha "5 euros contra o fumo", foram coletadas 40.000 assinaturas — 80% das 50.000 necessárias para levar a proposta ao Parlamento. No país, cerca de 10 milhões de cidadãos fumam e estima-se que 93.000 mortes por ano sejam atribuíveis ao consumo de tabaco. A iniciativa é promovida por AIOM, Fondazione AIRC, Fondazione Umberto Veronesi e Fondazione AIOM. Todo cidadão maior pode assinar via plataforma do Ministério da Justiça usando SPID, CIE ou CNS.

Os promotores celebram o avanço: segundo suas estimativas, um aumento de 5 euros poderia provocar uma redução de 37% no consumo global. Em termos práticos, isso significaria menos carga para o sistema público de saúde e menos folhas queimadas do futuro coletivo. O fumo é, afinal, o principal fator de risco para o câncer e está intimamente ligado a doenças cardiovasculares e respiratórias; além disso, a arrecadação extra seria direcionada para financiar o Sistema Nacional de Saúde.

Importante destacar que, no cenário atual, os dispositivos eletrônicos não estão se mostrando como caminhos claros para o abandono do hábito, mas muitas vezes como complementos: seu uso conjunto com cigarros é frequente. Um relatório recente da Comissão Europeia aponta que um em cada cinco jovens começa justamente pelos novos produtos à base de nicotina.

Pesquisadores da Universidade de New South Wales publicaram na revista Carcinogenesis dados que soam como um trovão: o uso combinado de cigarros tradicionais e eletrônicos quadruplica o risco de câncer de pulmão em comparação ao uso apenas de cigarros convencionais. Esse aumento de risco também aparece entre pacientes com menos de 50 anos, fazendo do uso misto uma das questões mais delicadas para a saúde pública contemporânea.

Como alguém que observa a respiração das cidades e a colheita dos hábitos, penso que políticas de preço, acompanhadas de educação e serviços de cessação efetivos, podem ser o solo fértil de uma mudança duradoura. Entre medidas e metáforas, permanece o fato: é tempo de agir para proteger quem ainda está no início da jornada.