Câncer de mama reduz em 35% a probabilidade de gravidez; urgem estratégias de preservação ovariana
Jovens com câncer de mama têm 35% menos chance de engravidar; estratégias de preservação ovariana durante a quimioterapia são urgentes.
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Câncer de mama reduz em 35% a probabilidade de gravidez; urgem estratégias de preservação ovariana
ROMA, 04 de setembro de 2026 — As jovens mulheres diagnosticadas com câncer de mama enfrentam uma probabilidade 35% menor de se tornarem mães em comparação com a população geral. Em meio a esse dado preocupante, cresce a necessidade de promover cuidados que protejam os ovários das toxicidades da quimioterapia e permitam a maternidade após a doença.
O tema dominou a reunião anual do Gim — Grupo italiano mammella — em Gênova, encontro que coordena desde 2001 a pesquisa independente sobre o câncer de mama no país e que celebra 25 anos de atividade. O aumento dos casos em idades jovens redesenhou a prática clínica: são mais de 3 mil mulheres com menos de 40 anos que adoecem a cada ano na Itália, e o índice de incidência apresentou um crescimento de 1,6% ao ano entre 2008 e 2016.
“A expansão das neoplasias mamárias 'juvenis' impôs profundas mudanças na prática clínica”, observa Lucia Del Mastro, responsável científica do evento, professora titular e diretora da Clínica de Oncologia Médica do IRCCS San Martino, Universidade de Gênova. No centro das discussões esteve o estudo Promise-Gim6, coordenado em Gênova, que demonstrou que colocar temporariamente os ovários em repouso durante a quimioterapia reduz o risco de menopausa precoce e contribui para a preservação da fertilidade.
Este resultado é como um sopro de primavera nos cuidados oncológicos: proteger as funções reprodutivas é também preservar a paisagem íntima das escolhas de uma vida. Em termos práticos, a estratégia de supressão ovariana com análogos de GnRH durante os ciclos citotóxicos mostrou-se uma ferramenta válida para minimizar danos e manter abertas as janelas da maternidade.
Para além da evidência clínica, os especialistas ressaltam a importância de integrar desde o diagnóstico uma abordagem multidisciplinar — oncologia, reprodução assistida, psicologia e cuidados de suporte — capaz de oferecer às pacientes informações claras sobre riscos, opções de preservação (como criopreservação de óvulos ou tecido ovariano) e caminhos para a maternidade segura após o tratamento.
Num país onde o número de jovens afetadas cresce como se fosse a respiração acelerada de uma cidade em mudança, políticas públicas e programas hospitalares precisam colher essa urgência e transformar em práticas cotidianas a proteção da fertilidade. A experiência clínica e as pesquisas independentes, coordenadas por grupos como o Gim, funcionam como mapas que orientam essa colheita de hábitos e cuidados.
Em última instância, falar de câncer de mama hoje é também falar do tempo interno do corpo e das escolhas que queremos deixar possíveis para depois: a maternidade não pode ser uma vítima inevitável do tratamento. Da mesma forma que o outono prepara o solo para a próxima primavera, a medicina contemporânea deve preparar e proteger o corpo para que a vida possa florescer novamente.
Redação Espresso Italia — Alessandro Vittorio Romano

