Câncer de pâncreas: sintomas tardios e cirurgia possível em apenas 1 a cada 5 casos, alerta Aiom
Câncer de pâncreas: 13.585 casos previstos em 2024 na Itália; sintomas tardios e cirurgia viável em apenas 15–20% dos pacientes, diz Aiom.
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Câncer de pâncreas: sintomas tardios e cirurgia possível em apenas 1 a cada 5 casos, alerta Aiom
Por Alessandro Vittorio Romano — Como o sopro frio que anuncia o fim do outono, o câncer de pâncreas costuma se revelar de forma sutil e tardia, deixando poucas pistas até que a paisagem clínica já esteja mudada. Em 2024, a Itália deve registrar cerca de 13.585 novas diagnósticos (6.873 homens e 6.712 mulheres), segundo estimativas citadas por Nicola Silvestris, secretário nacional da Associação Italiana de Oncologia Médica (Aiom) e diretor de Oncologia Médica do IRCCS Istituto Tumori Giovanni Paolo II, em Bari.
Silvestris lembra que, nas fases iniciais, o tumor pode ser assintomático ou apresentar sinais vagos — o que é como ouvir apenas o rufar distante da chuva antes da tempestade. Quando os sintomas tornam-se mais evidentes, incluem perda de peso rápida, dores abdominais, dificuldades digestivas, icterícia, urina escura, fezes esbranquiçadas e, por vezes, o aparecimento súbito de diabetes. Nessas circunstâncias, o câncer já costuma ter ultrapassado o ponto em que a cirurgia é viável: a ressecabilidade é praticável em apenas cerca de 15–20% dos casos (ou seja, aproximadamente 1 em cada 5).
A tragédia recente da apresentadora Enrica Bonaccorti, que faleceu aos 76 anos após diagnóstico no ano anterior, volta a lembrar a necessidade de atenção precoce. Ainda assim, ao contrário de outros tumores, não existem programas de rastreamento em massa para a população geral, exceto nos casos hereditários — que representam entre 5% e 10% dos casos e estão ligados a mutações genéticas específicas.
No front terapêutico, a medicina personalizada ainda tem poucas flechas nesse aljavo: são escassos os alvos moleculares disponíveis. Uma exceção importante são pacientes com mutações germinativas nos genes BRCA1 e BRCA2. Nestes casos, a Agência Italiana de Medicamentos (AIFA) aprovou recentemente a cobertura de um medicamento da classe dos PARP-inibidores para pacientes que não apresentaram progressão após a primeira linha de quimioterapia à base de platina.
Há também frentes promissoras em pesquisa clínica. Times italianos publicaram o estudo clínico "Cassandra", coordenado pelo professor Michele Reni, do IRCCS Ospedale San Raffaele, em Milão: o uso de quimioterapia sistêmica pré-operatória segundo o esquema PaxG duplicou a sobrevida livre de eventos e aumentou a taxa de ressecabilidade em tumores inicialmente ressecáveis ou borderline. Esses avanços são como adubar solo antes da semente: melhoram as chances de uma colheita futura.
Silvestris enfatiza a importância de tratar pacientes em centros de alto volume, capazes de oferecer padrões elevados não só em cirurgia, mas em um cuidado multimodal (terapias sistêmicas, radioterapia, cuidados concomitantes e inclusão em estudos clínicos) por meio de caminhos multidisciplinares. Para reduzir risco, recomendações simples continuam essenciais: parar de fumar e limitar o consumo de álcool figuram entre medidas práticas que compõem a "colheita de hábitos" que preserva a saúde.
O câncer de pâncreas permanece uma das neoplasias mais insidiosas: sua detecção tardia e a limitação de terapias dirigidas pedem atenção da comunidade médica e da sociedade. Como observador do cotidiano e amante da conexão entre ambiente e bem-estar, lembro que ouvir o corpo e procurar avaliação diante de mudanças persistentes é um gesto de cuidado — uma pequena colheita diária que pode transformar futuros.


