Celiaquia: caminho para diagnóstico sem biópsia também entre adultos selecionados
Novos critérios podem permitir diagnóstico de celíase sem biópsia em adultos selecionados; avanços em biomarcadores e triagem neonatal em 2026.
RESUMO ✦
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Celiaquia: caminho para diagnóstico sem biópsia também entre adultos selecionados
Por Alessandro Vittorio Romano — Em um movimento que pode simplificar a jornada de muitos pacientes, novas propostas apresentadas no Congresso Nacional das Doenças Digestivas sugerem estender o diagnóstico sem biópsia, já utilizado em crianças, a adultos cuidadosamente selecionados. A mudança foi destacada por Fabiana Zingone, da Universidade de Pádua e da SIGE, trazendo à luz critérios clínicos e biomarcadores que prometem transformar a prática.
O princípio central é pragmático e claro: em adultos com menos de 45 anos, sem sinais de alarme e acompanhados por centros de referência, seria possível confirmar a celíase sem passar pela endoscopia. A condição é que os níveis de anticorpos anti-transglutaminase IgA ultrapassem dez vezes o valor de referência e sejam validados por um segundo exame. Esse protocolo, já bem estabelecido na pediatria, reduziria o sofrimento, os custos e o tempo até o início do tratamento para muitos pacientes.
Ao mesmo tempo, a investigação científica busca biomarcadores que aumentem a precisão diagnóstica. Um dos sinais promissores é a liberação de interleucina-2 (IL-2) no sangue logo após a exposição ao glúten. Essa resposta inflamatória aguda pode funcionar tanto como ferramenta diagnóstica quanto como indicador para monitorar quem já segue a dieta sem glúten, ajudando a definir quais quantidades mínimas de glúten desencadeiam reação imunológica.
No plano terapêutico, a dieta sem glúten permanece o único tratamento oficialmente aprovado. Contudo, cerca de um em cada cinco pacientes ainda relata sintomas apesar da aderência ao regime. Por isso, há linhas de pesquisa em andamento sobre terapias complementares: fármacos que interfiram na transglutaminase, moduladores da resposta imune ou agentes que atuem sobre citocinas específicas do processo inflamatório. São abordagens ainda preliminares, mas que oferecem esperança de um futuro em que a colheita de hábitos e intervenções médicas se complementem.
Na esteira da prevenção, a Itália lidera com a introdução pioneira da triagem neonatal para celíase e diabetes tipo 1, após fases-piloto em várias regiões. A expectativa é a expansão nacional em 2026, visando identificar precocemente casos até então ocultos. Hoje, cerca de 280 mil diagnósticos foram notificados ao Ministério da Saúde — menos da metade das estimativas reais — o que, nas palavras de Rossella Valmarana, presidente da AIC, revela que "mais da metade dos celíacos permanece subdiagnosticada".
Além do rastreio, foram anunciadas medidas para facilitar o acesso aos cuidados: digitalização dos serviços, validade nacional dos vouchers para produtos sem glúten e fundos para ações de informação. A senadora Elena Murelli ressaltou que essas iniciativas visam reduzir desigualdades territoriais e garantir uniformidade no atendimento. Em uma paisagem onde o corpo e a cidade respiram juntos, essas intervenções são como adubos que fortalecem raízes: detectar cedo, tratar com precisão e acolher com equidade.
Enquanto a medicina avança, a prática clínica se afina, e a investigação revela novas pistas, a promessa é clara: diagnosticar com menos invasão e acompanhar com mais sensibilidade. Para quem vive as estações do corpo e da mente, essa transição representa não apenas um ganho técnico, mas uma conquista do bem-estar cotidiano.