Choque energético põe em risco a saúde dos mais frágeis durante ondas de calor, alerta especialista
Choque energético aumenta risco à saúde de idosos e pacientes crônicos durante ondas de calor; especialista alerta para desidratação e colapso de serviços.
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Choque energético põe em risco a saúde dos mais frágeis durante ondas de calor, alerta especialista
ROMA, 05 de abril de 2026 — Em um cenário em que o termômetro sobe como se a paisagem respirasse mais rápida, o professor Fabrizio Pregliasco, diretor da escola de especialização em higiene e medicina preventiva da Universidade de Milão, acende um alerta: o choque energético pode transformar o calor em uma ameaça direta à vida dos mais vulneráveis.
Segundo Pregliasco, em condições de calor extremo — que se tornaram mais frequentes em toda a Itália — a disponibilidade de energia elétrica, e portanto de sistemas de refrigeração, deixa de ser luxo para virar fator crucial de prevenção. Sem o funcionamento adequado do ar condicionado e de soluções de resfriamento, pessoas idosas, pacientes crônicos e outros sujeitos frágeis ficam expostos a riscos aumentados de desidratação, descompassos cardiovasculares e respiratórios, e até golpe de calor.
Na prática, o impacto não se limita ao desconforto: o choque energético pressiona o sistema de saúde. Pregliasco destaca que as unidades de emergência tendem a registrar maior demanda justamente quando a capacidade de resposta pode estar reduzida. A assistência territorial e domiciliar pode piorar, e serviços essenciais sofrem efeitos indiretos — criando uma teia de fragilidade que atinge especialmente aqueles que já vivem no limite.
Entre as manifestações clínicas mais preocupantes estão a síncope, cãibras, exaustão térmica e o golpe de calor. Além disso, a falta de refrigeração agrava doenças crônicas como insuficiência cardíaca, cardiopatia isquêmica, asma, insuficiência renal e diabetes. Alterações na pressão arterial e na glicemia também são frequentes quando o organismo é forçado a lidar com calor extremo sem recursos para se proteger.
Como observador atento do cotidiano e dos ciclos que moldam o bem-estar, vejo essa situação como uma estação difícil da nossa vida coletiva: a queda de serviços energéticos funciona como um inverno que atinge as raízes do cuidado. A resposta precisa combinar planejamento dos sistemas elétricos, estratégias de proteção para residências de alto risco e uma rede de atendimento que saiba priorizar os mais fragilizados.
Pregliasco sublinha a necessidade de medidas preventivas coordenadas: manter rotas de emergência preparadas, garantir a continuidade de aparelhos essenciais para pacientes dependentes de terapia domiciliar, e ações comunitárias que identifiquem e protejam quem vive sozinho ou em lares sem refrigeração adequada. Em suma, evitar que o calor vire um inimigo silencioso exige tanto infraestrutura quanto calor humano.
Num país que conhece bem as estações e suas histórias, a chamada de atenção é clara: o choque energético não é apenas um problema técnico, é um risco concreto à saúde pública. Proteger os mais frágeis é, antes de tudo, cultivar hábitos e políticas que preservem a vida quando a paisagem aquece demais.